25 de janeiro de 2011

Meu arco-íris preferido







Vamos parar com esse papinho hipócrita de que todos esses desastres que estão acontecendo mundo afora são culpa do “desarranjo sexual” pelo qual o mundo está passando? Vamos parar de culpar Deus pelo mal que nos acontece? Vamos ser honestos e íntegros o suficiente para assumir as consequências de nossas ações? Puta que pariu! Me desculpem os maus modos, mas é que tem horas que eu me irrito de verdade com as coisas que eu escuto por aí. Fico indignado, choro escondido (só um pouquinho) e até tento entender porque algumas pessoas (a grande maioria) insistem em achar um grande motivo para as coisas ruins que acontecem no mundo.


Poxa vida, se o rio transbordou e derrubou um monte de casas não é castigo de Deus. Se isso aconteceu é porque o homem poluiu os rios, derrubou a vegetação ribeirinha e construiu casas desordenadamente. Mas aí você me diz que se ele não construísse ali não haveria outro lugar para aquela família se estabelecer. Ok. E isso é culpa de quem? De Deus? Claro que não. Isso é culpa do próprio homem, que elege políticos corruptos e não se informam sobre os seus direitos. Ou é culpa dos políticos que não são honestos o suficiente. E isso vai gerando uma grande bola de neve cujo verdadeiro culpado nunca será encontrado. E é aí que eles jogam toda a culpa nas costas de Deus. Por favor, né?!


Nesse ínterim, não satisfeitos em culpar Deus, os hipócritas começam a jogar culpa em cima daqueles que nada tem a ver com as catástrofes. Dizem que a casa foi soterrada por causa dessa bagunça que está o mundo. É homem virando mulher, é mulher virando homem, é homem casando com homem e mulher com mulher, é essa aberração toda sendo aceita pela sociedade e blá blá blá. Pessoal, me poupem, tá! Se a sua casa caiu não venha me culpar. Se as geleiras estão derretendo, não venham me culpar. Se o rio encheu e devastou a cidade, não é culpa minha. Sério mesmo. É ridículo pensar dessa forma.


Somos todos seres humanos e devemos ser respeitados como tal. Não é porque você nasceu diferente do que foi imposto pelos homens desde o início dos tempos que você tem que carregar toda a culpa do mundo. O maior e mais bonito mandamento ensinado por Jesus Cristo é que devemos amar o próximo como a si mesmo. Eu acredito que esse mandamento resume toda a lei de amor e convivência pacífica do mundo. Se cada um amar, respeitar, honrar o outro como a si mesmo tudo estará resolvido como num passe de mágica. As pessoas devem ser livres para viver da forma como se sentem melhor. A felicidade não deve ser uma utopia ou um parâmetro a ser seguido. A felicidade está em ser livre para satisfazer os seus verdadeiros desejos e vontades. Cada um sabe a sua dor, a sua delícia, o seu firmamento.


Meu céu tem estrelas lindas. Todas elas muito coloridas e diferentes umas das outras. Não quero a monotonia de olhar para o lado e ver uma coisa completamente igual a mim. Sou único e assim quero continuar a ser. O diferente nessa história toda deve ser aquele que não acredita em si mesmo, aquele que menospreza o seu potencial, que não busca viver de acordo com os valores que estão arraigados dentro do seu coração. Se você quer acreditar que existe uma “opção sexual” é problema seu. Você é o burro da história e não eu. Sou extremamente desenvolvido intelectualmente para perceber a sensibilidade das diversas orientações sexuais. A diversidade sexual que vemos tão amplamente divulgada nada mais é do que o reflexo da evolução da informação.


Estamos na era da informação. Nada consegue ficar tão escondido por muito tempo e nem existe um por quê para tal situação. Homossexualidade não é crime, nem doença e nem falta de vergonha na cara. Homossexualismo, que fique claro, não existe em nenhuma instância. O sufixo “ismo” indica doença, deficiência e coisas do tipo. Homossexualidade é a orientação sexual para o qual determinado indivíduo está predestinado a seguir. Isso eu não tirei de nenhum dicionário, vem de dentro, do sentimento. Sentimento, aliás, que muitas pessoas não tem.


Não adianta vir me dizer que fulano virou gay ou que deixou de ser gay ou que só quis experimentar por algumas vezes ou quando tem vontade. E não me venha fazer acreditar em contos de fadas e crendices acerca desse assunto. Já passei debaixo de arco-íris mesmo, mas antes disso eu já sabia muito bem o que eu queria da vida. Meu arco-íris preferido tinha muito mais do que sete cores. Ele tinha até glitter.





24 de janeiro de 2011

O que não se explica







Toda história de amor é linda o suficiente para merecer uma segunda, terceira ou quarta chance. Não. A minha não é mais bonita que a sua ou mais bonita do que a do fulano ou do sicrano. Toda história de amor é linda por si só. Ela tem a essência do encontro, o brilho do toque de olhar, o cheiro da pele transpirando sentimento bom. História de amor é sempre uma história de amor.


O amor nasce nos corações dos pombinhos. Eles se enamoram por algum tempo, conversam, tentam se conhecer um pouco melhor, mas é somente a convivência como casal que dá a eles o real sentido de tudo o que estavam buscando: a convergência de emoções. A vida é feita de momentos e, estes, nos emocionam. Somos movidos pelo grande desejo de nos encontrar no fundo do coração de alguma pessoa que seja especial. Especial por conta própria. Especial sem precisar de você. Especial sem precisar do seu amor. Só assim essa pessoa poderá te completar e fazer de você um ser soberano e, por conseguinte, completo também.


Todo mundo quer, todo mundo sonha, todo mundo deseja um amor pra chamar de seu. Será mesmo que você que ele seja seu? Será mesmo que você não quer alguém que seja diferente de você? Será que você não precisa de alguém que seja livre de todo e qualquer resquício de você? Será? Não sei. O que eu sei eu não conto, porque sentimento a gente vive e revive tudo dentro da gente antes de botar pra fora. Amor não pode se quebrar num pluft, não pode ser tão frágil, que se quebre a toa, e nem tão forte, que se mostre completamente auto-suficiente de outros sentimentos. O amor é troço muito estranho de se entender, estudar ou até mesmo sentir. Requer controle. Auto-controle. Podia bem inventar um controle remoto do amor. Seria prático e muito reconfortante nas horas em que você mais precisa do seu (?) amor. Você sabe que é seu, mas quer saber que você é uma parte do todo. E você gosta do todo. Você gosta de ver o todo e gosta de mostrar o seu todo também. O seu todo bem completo de si mesmo.


Só assim, quando olhares pro fundo do seu armário, verá que o seu eu continua ali, intacto, irretocável, na mais profunda perfeição do seu ser. Queira você admitir ou não: você sempre foi perfeito para você mesmo. Uma verdade tão impossível de se acreditar quando se tem alguém do seu lado querendo ser muito mais perfeito que você. Tolice. Ledo engano. E sem rodeios você percebe que a perfeição estaria no completar-se, na busca eterna pela satisfação plena dos desejos do objeto amado. Toda história de amor, repito, é linda por si só. Mas ela não deve ser só uma história. Ela deve ser um presente contínuo, em que os verbos se conjugam perfeitamente e as conjunções coordenadas exercem a mais perfeita sinfonia de sabores e cores. Assim, o texto dessa história será bem harmônico e feliz. Não adianta tentar ser feliz. Tem que ser feliz com o que se tem ali, bem ao seu lado na cama, no banco do motorista, naqueles momentos de fim de tarde em que vocês poderiam ter visto o mais lindo pôr-do-sol. Nunca permita que ninguém te ame menos do que você próprio é capaz de se amar.















Férias e outras delícias!









Lembro que, quando a gente voltava das férias escolares, a professora sempre pedia para cada aluno fazer uma redação dizendo como foram suas férias. Eu achava um grande barato fazer isso. Contar para todos os coleguinhas como foram as minhas férias e me gabar de tudo o que eu tinha feito era uma grande diversão. Quero fazer isso agora, de novo, com vocês. Só não vou me gabar (tanto), ok?


Ai a viagem é bem longa. Longa mesmo. Mais de mil e oitocentos quilômetros de puro asfalto, paradas, algumas dores no corpo e muito cansaço. Eu podia cansar vocês contando tudo o que a gente sente numa viagem tão longa assim, mas acho melhor pular para as partes legais. Primeiro tem as paradinhas maravilhosas onde você come um pão-de-queijo recheado incrivelmente indescritível. Eu, confesso, não sei contar de quantos recheios eu comi. Depois vem um doce de nata bem cremoso e maravilhoso. Teve também um bolo de milho com amendoim que, no sul de Minas, é conhecido pelo sugestivo nome de pau-a-pique. Esse bolinho é feito de uma massa mais consistente e assado na folha da bananeira em um forno de pedra. Acho digno.


Teve, ainda, as delícias da minha mãe: bolo salgado de frango (que eu amo), bolo doce, biscoitinhos e outros mais. Asfalto, poeira, chuva, sol e uma marquinha de sol bem marota no braço esquerdo. O Rodrigo tem a marquinha marota no braço direito. Resumindo: água, calor, água, volante, estrada, água, asfalto, muita disposição e vontade de fazer o amor da sua vida uma pessoa mais feliz ao rever a família após um ano afastados. Dois dias de viagem e uma pousada um tanto quanto inusitada. Em São Paulo, numa cidadezinha bem pequena chamada Espírito Santo do Turvo, um letreiro verde escrito “hotel”.


Paramos para dormir e, numa daquelas coincidências incríveis da vida, fomos apresentados à dona do hotel/pousada/pensão. Maria é o seu nome. Uma senhora de pouco mais de cinquenta anos, um busto enorme e uma simpatia maior ainda. Paulista? Não. Mineira. Nascida em Muriaé, cidadezinha próxima à minha cidade, veio para São Paulo ainda jovem e por lá se estabeleceu. Mãe de alguns filhos e fã da novela Passione, Maria nos apresentou os quartos falando em italiano. Confesso que não tenho muita paciência para essas coisas infantis, mas ela nos alegrou e me fez rir bastante daquela situação italiana (minha descendência) barra brasileira (minha nacionalidade). A jovem e robusta senhora, além de mineira, era costureira. Isso já faz com que ela ganhe pontos na escala de serviços interessantes. O hotel, acredite ou não, estava localizado na rua Paraná, terra do meu marido. Pense nas coincidências: um hotel no meio de São Paulo, cuja dona é mineira e que mora e tem seu hotel na rua Paraná, nosso destino. Eu mineiro, o Rodrigo paranaense e encontramos o hotel de uma mineira numa rua que leva o nome do Estado brasileiro onde ele nasceu. Enfim, eu acredito em coincidências e acredito, ainda mais, que sempre vai existir uma boa Maria, em todo lugar, para ajudar. Ajudar sem medida.


Seguimos viagem e, depois de algumas cansativas horas, chegamos à casa da sogra. Eu acho sempre linda a nossa chegada. Minha sogra corre para abraçar o filho, que esteve longe por um ano, e se emociona como toda boa mãe cheia de saudade. Os dias seguem-se com a mesma emoção e a minha vontade de que eles se aproveitem ao máximo. Gostaria que eles se aproveitassem mais, confesso. Mas eles fazem tudo do jeitinho deles e, acredito eu, que se aproveitam da melhor forma que podem.


O lugar onde passamos as férias é, no mínimo, encantador. Muitas árvores, ar puro e comida bem gostosa. Gosto de acordar e ver o quão diferente é o lugar onde fui parar. As pessoas têm um sotaque diferente, uma cor diferente, olhos diferentes, mas um coração próximo ao de todos nós. Graças a Deus. São bem polacos, como são chamados. Loiros, em sua maioria. Olhos bem azuis, em sua maioria. Brancos, muito brancos. O clima é ameno, com chuvas e muito frio em determinadas épocas. O sol que eles chamam de quente, em Minas, é um sol bem fraquinho e faceiro. E um fato interessante é que lá venta, venta bastante. E isso é ótimo!


Entre visitas de parentes e visitas turísticas pela cidade, encontramos coisas e pessoas muito interessantes e igualmente encantadoras. A comida é diferente da de Minas Gerais – muita cebola, pouco alho, muita verdura e legumes, muito (eu disse muito mesmo) pouco queijo. Quase nada de queijo. Situação que eu resolvi logo nas primeiras compras no supermercado. Mas acredite: o queijo deles não chega nem perto do nosso queijo. Porém, precisamos experimentar sempre. O forte deles é carne. Muita carne. De todos os tipos, tamanhos e origem. Churrasco é o forte do povo daqui e, se nós podemos dizer que temos o melhor queijo, eles podem dizer que tem o melhor churrasco. Até o cheiro é diferente. Aliás, só posso dar testemunho do cheiro, tamanho e aparência. Não como churrasco (e nem carne alguma) nem aqui e nem em Minas. Não se preocupe, não como carne desde criança. Não gosto e não me faz a menor falta.


A cultura é diferente, porém muito interessante. A maioria das pessoas são de descendência polonesa ou ucraniana, sendo a cultura ucraniana dominante na família do meu amor. Fomos à missa em ucraino, como eles dizem aqui. A missa segue um rito lindo e completamente diferente do rito católico-português. Eles rezam em ucraniano e promovem um verdadeiro espetáculo cultural. O padre merece uma atenção especial. A roupa que ele veste é maravilhosa, parece daqueles santos chiques e bem vestidos. Até o cabelo do padre é daquele bem liso com corte tipo cuia. É muito legal e interessante. A comunhão é dada diretamente na boca do cristão e a hóstia é embebida em vinho.


Muito sossego, nada de sinal de celular ou internet de qualquer tipo. São vinte dias completamente mergulhados na calma e tranquilidade. A volta para casa também foi bem tranquila, graças a Deus! Nosso GPS é um escândalo de tão prestativo. Ele nos manda por alguns atalhos com estradas de terra, mas isso é o de menos. Paramos num hotelzinho bem bonitinho em Pirassununga – SP. O hotel tinha um monte de coelhinhos de várias cores brincando no estacionamento. O quarto tinha internet sem fio e um ventilador de teto que ventava bem pouquinho, fato que o circulador de ar resolveu. Voltamos para casa, depois de cansativas horas dentro do carro e a emoção foi bem grande. Saudade de tudo: da minha mãe, meu pai, meu irmão, da minha casa, do meu quarto, do meu banheiro, da minha vida que ficou parada no tempo por esses deliciosos vinte dias. É sempre bom viajar, mas é melhor ainda voltar pra casa. Dá um gostinho bom de que tudo sempre vale a pena.




30 de dezembro de 2010

Sonhos e férias!







Falar de sonhos é sempre bom, né?! Não vivemos sem eles, não podemos e nem queremos. Pequeno, médio ou grande. Extra grande. Extra-extra-grande. Super grande. Sonho é sonho. Do tamanho que vier, junto com o que vier. Esse blog é a realização de um sonho meu. E essa realização se dá a cada resposta positiva e linda que recebo de você quando escrevo um texto. Falar de sonhos parece fácil, mas não é não! Sonho é coisa séria. E eu quero te pedir uma coisa: sonhe, mas realize. Corra atrás, faça acontecer.


Desde a escolinha eu sempre amei escrever e ler e escrever e ler e ler e escrever. Sempre. Não sabia quanto era dois mais dois. E isso, sinceramente, não me faz falta. Mas as letras sempre foram minhas. Eram minhas amigas, companheiras, gente-fina-sim-sinhô. Elas me acompanham desde sempre. Eu adorava (A-DO-RA-VA) quando a professora elogiava as minhas redações e pedia para eu ler em voz alta para a turma toda. Morria de vergonha, suava frio, tremia o corpo todo, mas eu confesso que adorava ler os meus textos e ver que, além da professora, mais pessoas gostavam deles. Sou feliz por isso.


Esse blog existe desde 2008. Quer dizer, o domínio é meu desde 2008, mas eu só tomei coragem mesmo esse ano. Publiquei textos antigos, que escrevi em 2009, falei da minha vida, meu amor, minha família, meus medos, anseios, sabores e cores. Me despi para vocês. Despi a alma de todo pudor e recebi muitos recados carinhosos de gente que lê e se identifica. Gente apaixonada, gente humana, gente que ri e que sabe que chorar faz parte. Foi lindo passar esse ano escrevendo. Que venha 2011 com lindas inspirações para todos nós.




Um grande abraço a todos vocês que fizeram de mim um aprendiz de escritor.
Volto das minhas (merecidas) férias dia 24 de janeiro 
aí passo aqui para dar um beijo em todos vocês!




Feliz ano novo!
Feliz novo começo!
Feliz recomeçar!






É sempre tempo





É sempre tempo de apertar os cadarços e andar com o sapato mais firme no pé. A gente anda, anda, anda e às vezes esquece de que é preciso olhar as pessoas que estão a nossa volta.  No fim do ano é assim, a gente começa a repensar tudo o que fez, aquela velha retrospectiva introspectiva e que nos faz sentir aquela leve nostalgia. Dezembro chega ao fim e, com ele, deixamos ir toda a energia velha, antiga, usada. Toda a energia que acumulamos durante todo o ano. É nessa época que deixamos ir embora aqueles velhos receios, aqueles medos taciturnos, aquelas brechas de solidão. 



Quero ser breve ao falar do ano novo, pois ele é novo. Em branco e bem limpinho. Do jeito que eu gosto. Aliás, esse é um dos meus gostos que serão controlados ano que vem. Não é promessa, nem listinha para o ano novo. É apenas uma resolução consciente. Existem coisas limpas no mundo, Diego. Esse ano que passou deixou um trauma que eu vou fazer questão de lutar para esquecer e isso já está sendo providenciado. Porque luta boa é aquela que não espera o dia certo para começar. Viva o hoje e lute sempre.


Quero, ainda, pedir desculpas. Desculpas mil. Me desculpe você, que sempre me ouviu e sempre olhou por mim, sendo amiga e sendo companheira. Sendo presente. Desculpe por não ter percebido a real intenção de tudo o que foi dito e feito. Sinto muito, mas já passou e agora está tudo bem. Me desculpe você, que sempre quis o meu bem e que, muitas vezes eu não soube perceber. Me desculpe pelo meu jeito forte, turrão, possessivo (às vezes) e meio tirano. Não foi a intenção.


Desculpem-me vocês, que me deram a vida e, mais que isso, me ensinaram a ser quem eu sou. Desculpe se os fiz sofrer com as minhas atitudes. Foi tudo por amor e tudo pela minha felicidade. Posso ter sido egoísta, mas o coração é meio insano às vezes, faz as coisas e depois vê o que vai dar. Ele sabe que o tempo irá curar as feridas e mostrar que o que ele fez era bom, era de coração. 
Desculpe-me você, meu amor, pela minha falta de paciência, minha incompreensão e a minha vontade de mudar o mundo, o seu mundo. Desculpe pela minha rigidez e meu pragmatismo exagerado. Desculpe-me se eu não te amei como você merecia, desculpe se faltou carinho, atenção, compreensão. Desculpe se eu falhei nessa nossa caminhada. Te amo de um amor infinito, que não cabe em mim, que se expande. Quero você ao meu lado em todos os anos, novos ou velhos, lindos e nem tão lindos. 


Desculpem-me!
Mas é sempre tempo de olhar para trás e buscar refazer o que foi feito de uma forma não tão correta, não tão do jeito que deveria ser. Desculpar-se faz um bem danado e eu não podia deixar esse 2010 ir embora sem fazer isso.





28 de dezembro de 2010

Não existe!








Não. Ele não existe. O ano novo, como o próprio nome já diz, é novo. Ele não existe ainda. Não tem nada pronto e nada moldado para ele. Ele é novo e será construído dia após dia, com suspiros (alegres e tristes), com amores, com muita saúde e muita felicidade. O que você precisa saber dele é basicamente isso: ele é uma página em branco. Várias páginas em branco. Um livro todinho seu, você é o autor. Você precisa fazer de 2011 o melhor ano da sua vida e eu sei que, assim como eu e muitas outras pessoas, você acaba deixando o seu ano nas mãos de outras pessoas ou até mesmo do tal do "destino". O seu destino é você quem faz. Quem é que já olhou bem no fundo dos olhos desse tal destino e disse: "-Ei, eu quero o melhor ano da minha vida! E eu vou te pedir isso todos os anos, ok?" Quem é que um dia já fez isso? Ninguém. Sabe o por quê? Porque o seu destino está em cada pequena ação do seu cotidiano.


Em 2011 precisamos de muito mais amigos e encontros e sorrisos e sorrisos e muitas alegrias. O ano novo faz um brinde com a gente. Por que não brindar com ele todos os dias de nossas vidas? Por que cada amanhecer não se torna um brinde à vida? Eu sei que o ano que ora está terminando pode não ter sido de todo bom para você. No meu caso, eu preciso esquecer algumas passagens desse ano. Eu experimentei dores incalculáveis, angústia, desespero e sofrimento sem tamanho. Coisas que eu nunca tinha experimentado antes e coisas que eu sempre desejei passar longe. E eu quero deixar isso tudo aqui, em 2010. Não quero levar nada de velho ou ruim pro meu ano novo. Para o meu ano novo só vou levar minhas vitórias, conquistas, amores e tudo de bom que eu vivi.


No meu ano novo só existe o bem. Se você me deseja o mal, eu te desejo amor. Se 2010 não deu certo por algum motivo, pense: é porque tem algo melhor preparado para você. Procure amar mais, viver mais, acreditar mais, sonhar mais, respirar mais. Respire fundo e pé na tábua. Solte o sorriso preso no coração e liberte sua mente. Viva seu corpo. Ele é seu instrumento para ser feliz. Respeite-o e será respeitado por ele. Entenda, ainda, que as pessoas não são obrigadas a te amar incondicionalmente. Elas não vão entender se você acordar de mau humor e começar a maltratá-las. A responsabilidade de fazer o seu dia valer a pena é inteiramente sua. 


Ei, outra coisa, quando errar, desculpe-se. "Foi mal" não é "me desculpe". Aprenda a usar as palavras a seu favor, faça delas as melhores aliadas que você pode ter na vida. Uma palavra muda o mundo. Um sorriso transforma os corações e uma boa ação faz a sua alma sentir-se viva dentro de um anonimato incrível e consolador. Agradeça, a vida é feita de milagres. Agradeça por eles acontecerem a todo momento em sua vida e daqueles que você ama. "Valeu" não é "muito obrigado". Sinta-se muito agradecido, demostre isso. Faça com que o outro sinta que você realmente gostou de tudo o que aconteceu. "Eu também" não é "eu te amo". Mostre seu amor. Deixe que o mundo (ou apenas a pessoa que você ama) saberem que você carrega consigo o mais nobre dos sentimentos humanos - o amor. Amor que move o mundo, que derruba barreiras de tempo e espaço, que faz crescer, que faz envaidecer. Amor que mexe com as nossas estruturas, que faz vibrar, que faz viver.


Quer vencer os desafios do mundo? Confie em Deus. Ele é único, onipotente e onipresente. Seja qual for a sua crença, sempre existirá um Deus, uma força maior em que você acredita e confia suas esperanças. Quer ser bom no que faz? Pratique. Nada melhor do que repetir várias vezes as coisas que precisamos saber fazer com maestria. Quer crescer? Tenha raízes. Nunca perca de vista os seus amados, os seus laços de sangue e os seus princípios. Quer ver os resultados? Perservere. Faça da sua vida uma eterna batalha, um eterno esperar, um eterno aprendizado. Quer ser feliz? Esqueça o passado. Viva o presente e não se preocupe tanto com o futuro. Se você vive bem o presente, não tem como o futuro dar errado, ok? É uma regrinha natural da vida. Quer falar bem? Tagarele menos e escute mais. Quer fazer a diferença? Seja a diferença que você quer ver nos outros. Aqueles que nada fazem e esperam algum tipo de vitória estão perdendo tempo. A vitória é dos que lutam, dos que agem, dos que "saem do porto" e se arriscam para alcançar o topo da montanha. 


Em 2011, attraversiamo! Vamos atravessar. Vamos transpor barreiras, ultrapassar nossos limites e viver lindamente. Perigo é esperar a vida acontecer. A vida não acontece. Você é que tem que fazer acontecer.





21 de dezembro de 2010












18 de dezembro de 2010

Nota mental pra 2011: pescaria






um homem
que se preocupava demais
com coisas sem importância
acabou ficando com
a cabeça cheia de minhocas
um amigo lhe deu então uma ideia
de usar as minhocas 
numa pescaria para se distrair
das preocupações

o homem se distraiu tanto
pescando
que sua cabeça ficou leve
como um balão
e foi subindo pelo ar
até sumir nas nuvens.
onde será que foi parar?
não sei
nem quero me preocupar com isso.
vou mais é pescar.


José Paulo Paes






16 de dezembro de 2010












Amor não tem estação. Não tem frio, calor, flores ou folhas caindo. Amor é atemporal. Os tempos mudam, os sentimentos são os mesmos. Queria eu saber fazer poema. Acho lindo quem sabe rimar. Para mim, rimar é dançar valsa com as palavras, é rodopiar no meio do salão enquanto todos param para olhar. Amor também é assim: é espetáculo. Amor é pra dançar junto. Seja lambada, merengue, tango (ui), salsa ou merengue, Maria! Falar de amor não precisa ser tenso. Às vezes é, mas muitas vezes (a maioria delas) amor tem que ser relaxamento, serenidade, suavidade, toques, gestos, cores, sabores, louvores. Amor é um culto escandalosamente sagrado. É um grito que não consegue ser sufocado. Passam-se anos, décadas, milênios, amor é amor e tem força suficiente para sê-lo. Não adianta tentar ser Jobim, Nando ou Chico aqui, não sei falar de amor fazendo poesia. Talvez porque eu seja amor-prático. Não sei falar de amor em verso, mas sei versar com meu amor as formas de fazê-lo feliz.






Pra vocês, um presente que Roberta Campos e Nando Reis me deram de Natal!

 







8 de dezembro de 2010

Minhas cartas ao Pequeno Príncipe: sobre a rosa




Terra, 08 de dezembro de 2011.



Petit, tudo bem com você?
Tempos que a gente não se fala ou se escreve ou se twitta, né? Como vão as coisas aí no B612? Espero que esteja tudo bem.  As coisas aqui na Terra estão como de costume, muita correria, muita fumaça, muita gente gritando coisas que não deviam ser nem ao menos sussurradas. É a escolha deles, né? Fazem o que querem e não se importam com a verdade do universo e toda a energia que nos cerca. Deixa pra lá, porque esse povo não compensa. Outro dia até espancaram um menino na rua com lâmpadas fluorescentes só porque ele é gay. Tem base? Sorte sua que vive no seu planeta e não precisa conviver com animais truculentos como esses que temos aqui. Mas não é por isso que estou te escrevendo.


O que acontece é que eu fiquei com saudade mesmo. Escutei uma música tão bonita e me lembrei de você e de sua rosa. Como ela está? Muita gente não simpatiza com ela, eu sei, mas eu mudei muito a visão que eu tinha dela. Todos falam do orgulho excessivo e da arrogância que sua rosa exalava em seu planeta. Era como se ela fosse a rainha do B612 e você um mero servo daquela tirana senhora. Por esses dias comecei a pensar na relação de vocês dois. Não que eu tenha alguma coisa a ver com isso, mas é que aprendi muita coisa analisando a sua turbulenta relação com ela. Aprendi algumas coisas que eu sempre quis aprender a respeito do amor e da pessoa amada. Aprendi que devemos olhar bem no fundo dos olhos do amor e perguntar: o que é que te faz feliz?


Bem, não me interprete mal, mas você sabe que igual a sua rosa existem mais de mil, mais de milhões, mais de bilhões e isso todo mundo sempre te disse. Porém não é isso que quero dizer. O que quero dizer é que, dentre essa infinidade de rosas, tu escolhestes uma para amar. É para ela que você vive e eu, sinceramente, não acho que você esteja errado. Nos seus momentos de solidão é ela quem esteve do seu lado. Ela te ouviu e te acolheu num abraço. Quer coisa mais bonita do que alguém para abraçar? Alguém por quem lutar? Alguém por quem voltar pra casa? Quer coisa melhor do que ter alguém? Tem gente que gosta de dançar, de passear, de rodar o mundo. Contudo, eu sou da turma do amor. Assim como você, gosto de ter a minha rosa. Uma rosa bem cuidada, bem regada, numa redoma que a proteja, mas que não a deixe isolada do mundo. Até porque as nossas rosas precisam viver, né? 


É claro que existem fases e mais fases num relacionamento. É fato e todo mundo comentou que foi o orgulho e a arrogância da sua rosa que abalou a paz do seu planeta e te fez viajar pelo espaço, chegando, finalmente, à Terra. Aqui, em nosso planeta, você descobriu o segredo do que é realmente importante na vida. E essa mudança de valores que aconteceu na sua vida não foi acompanhada por todos os que te conheciam. Você passou a enxergar o mundo com outros olhos e isso não era unânime entre os que conviviam com você. Talvez por isso tenha sido tão difícil tomar as decisões que você tomou e seguir firme com elas até o fim. Antigamente, você vivia só e isolado no seu planeta. Graças à sua rosa, você viajou e conheceu outros mundos, aprendeu que a vida existe em diferentes formas, conheceu a raposa e a cobra, conheceu seu amigo aviador e me conheceu, conheceu outras rosas e outros seres tão solitários quanto você um dia foi. 


Como nos equivocamos na avaliação das coisas e das pessoas que nos rodeiam, não é mesmo? E como esses julgamentos nos levam à solidão. Nos entregamos a nossas preocupações diárias, nos tornamos adultos de forma definitiva e esquecemos a criança que fomos. Nos tornamos secos no trato e passamos a enxergar as coisas boas sob uma ótica completamente monetária e hierárquica. Ele não pode namorar com fulano, porque fulano é pobre, é negro, é judeu, é roxo, é azul, é amarelo, é do mesmo sexo, é um preguiçoso, é um sanguessuga e tantos outros adjetivos que os que não enxergam com o coração trazem à tona. Somos bombardeados por um exército hipócrita quando resolvemos assumir um relacionamento. As pessoas querem entender o que se passa dentro da gente. Elas querem controlar uma coisa que nem nós mesmos temos controle - o nosso coração. Você sabe (e compartilha da mesma ideia) que o coração não é apenas um músculo que nos mantém vivo. Ele cuida de toda a parte burocrática do organismo, sim. Distribui sangue, controla a pressão, bate, bombeia, se joga o tempo todo. Mas o fato é que ele precisa ser preenchido com muita coisa boa, muito sentimento bom, muito amor. Sem isso, nem ele sobrevive. 


O que eu quero é que você saiba que eu te apoio e que eu estou aqui para o que você precisar. Sua relação com a sua rosa é coisa que interessa só a vocês dois. E eu, a partir de hoje, respeitarei isso de forma sagrada. Se ela te faz bem e te faz feliz, pra quê que eu vou ficar metendo o bedelho? Você sabe se cuidar e sabe o que é melhor para você. A gente já está bem grandinho pra ficar querendo e pensando que tem que agradar os outros, né? Temos que saber o que se passa dentro da gente e assumir isso como a verdade da nossa vida. Isso vai acalentar a nossa alma e fazer florescer lindos frutos. O menino que ensinou o mundo a amar estava apaixonado e ninguém dava bola pra isso. Todo mundo metia o pau em você e na sua rosa. Mal sabem eles que isso te machucava profundamente. Mal sabem eles que existem feridas que cicatrizam, mas que deixam marcas eternas. Mal sabem eles que você é humano.


Nossa civilização contempla Deus através dos homens. O homem foi criado à imagem e semelhança de Deus. Respeitava-se Deus no homem. Tanto é que o Filho de Deus se fez homem e morreu entre nós. Esse reflexo de Deus conferia uma dignidade inalienável ao homem. Assim, as relações do homem com Deus serviam de fundamento aos deveres de cada homem consigo próprio ou para com os outros. Isso, meu caro, é o que todos acreditam, mas que poucas vezes colocam em prática. Tem gente que mata sem preocupação, que rouba, que desrespeita o outro. Jesus não nos ensinou a amar o próximo como a nós mesmos? Por que então tantas pessoas, inclusive do alto escalão, não assimilam esse ensinamento tão simples - e, ao mesmo tempo, tão complexo - de uma vez por todas e tornam isso uma constante em suas vidas? Isso é básico: respeito antes de qualquer outra coisa. Só assim o amor consegue se estruturar.


Enfim, que bom que você lutou pela sua rosa e fez dela tão importante. A vida é feita de batalhas e, tanto aqui, quanto aí no seu planeta a gente tem que ser perseverante até conseguir a vitória. Bom falar com você novamente. Vê se me liga. Agora eu tenho um chip da Tim que tem uma promoção incrível. A gente vai falar ilimitado (merchandising completamente gratuito, ok?!) e vai poder fofocar bastante. Que você tenha um Natal lindo, meu amigo. E que seu ano seja realmente novo, em todos os sentidos.



Um forte abraço, do seu amigo terráqueo.



P.S. Aqui embaixo estou postando o vídeo da música que me fez lembrar do Príncipe.




"Os contos de fadas são assim:
Uma manhã, a gente acorda
E diz: 'Era só um conto de fadas...'
E a gente sorri de si mesmo.
Mas, no fundo, não estamos sorrindo.
Sabemos muito bem que os contos
de fadas são a única verdade na vida."

Antoine de Saint-Exupéry