19 de abril de 2011

Favor não ultrapassar




Tem muita gente buscando o verdadeiro sentido da vida e esquecendo de olhar toda a beleza que existe pelo caminho. A eterna (e tortuosa) caminhada em busca do melhor que possa existir no mundo (eu não sei o que é e aposto que nem você sabe). O fato é que não tem ninguém interessado no gatinho preto que dormiu no tapetinho da porta da sua casa, com as mudinhas de pimenta que estão crescendo lá fora, com o passarinho que morreu na casinha que você colocou pra ele no telhado. Ninguém se apega a esses detalhes. Ninguém ao menos presta atenção nesses detalhes. Hoje eu acordei com uma vontade imensa de fazer um grande bem para mim mesmo. Hoje eu acordei querendo sorrir o mundo. Sim, sorrir o mundo todo. E isso, que fique claro, é bem diferente de fazer sorrir o mundo. Quero sorrir o mundo.


Quero fazer brilhar um sol dentro desse peito árido e tão castigado. Tem coisas que só a gente sente e tem que coisas que só a gente sabe o estrago que faz na alma. Minha alma andou ferida por uns tempos, machucada, muito sensível e dolorida. Ela estava em recuperação. Os tecidos se fortaleciam, as cicatrizes tomavam forma e a dor, ahh essa dor intensa, está indo embora. A dor vai embora, tudo vai voltando ao normal, mas as cicatrizes na alma ferida ainda permanecem muito vivas para serem esquecidas. Hoje eu acordei determinado a esquecê-las. Hoje eu acordei querendo apertar o play. Não é fácil, eu sei. Eu sei quanto doi a minha ferida, mas não tenho como calcular a sua dor. Eu queria ter sido forte o bastante para não expressar tudo isso, mas eu não sou o homem de ferro. A vida, mesmo que doída, pode e deve ser inesquecível. Mas não ultrapasse os meus limites, não grite no meu ouvido verdades que, de tão sinceras, tornaram-se insultos dolorosos e cheios de rancor. 


Hoje eu quero aprender a viver sem essa dor. É estranho, mas eu não me lembro como se faz. Me sinto uma criança dando seus primeiros passos. Vou devagar, não quero cair muitas vezes. Vou me levantar. Eu sei que posso. Eu sei que tem gente para me ajudar a me reerguer. Não pense que eu estou fazendo drama ou coisas do tipo (apesar de me sentir a Paulina Bracho às vezes), sou bem forte. Mais forte do que muita gente imagina. Porém quero isso em segredo. Não é bom as pessoas saberem que eu sou tão forte assim. Não é bom porque eu nunca poderei fraquejar, nunca poderei ser humano, nunca poderei dizer "ei, hoje eu não tô bem, ok!". É estranho, mas as pessoas depositam uma grande carga de deveres e confiança em cima daqueles que são fortes o suficiente para aguentar qualquer tranco. 


Contudo, todo mundo tem um calcanhar mais frágil do que geleia. E, quando esse calcanhar é atingido, a muralha se desconstroi em pequeninos pedaços revestidos de coragem. E é difícil juntar tudo de novo. Tudo o que eu quero é um limite de velocidade, um desacelerar, um breve e longo suspiro de prazer e felicidade. Uma vida simples, bonita, cheia de alegria. Eu quero (e tenho) alguém com quem contar nas horas difíceis. Não precisa falar nada, só ouvir os meus gemidos, as minhas lamentações. Vai passar... vai passar...







13 de abril de 2011

IMPORTANTE!

  


Oi gente, bom dia!
Hoje eu preciso falar com vocês sobre um assunto muito sério e apresentar a todos uma iniciativa muito legal que foi divulgada pelo Twitter ontem a tarde.

Trata-se de uma iniciativa, a princípio, da Jornalista (sim, com "J" maiúsculo) Carol Almeida e do Daniel Ribeiro, diretor de curtas que super legais e que foram super premiados: Café com Leite e Eu Não Quero Voltar Sozinho.

Os dois estão numa campanha que é pra mim, pra você, pros seus filhos, netos, família, cachorro, periquito e papagaio. É uma iniciativa muito séria e que deve (PRE-CI-SA) contar com a nossa colaboração. Por isso, mãos à obra!

Leiam abaixo o texto-manifesto da Carol e atendam ao simples pedido dela. Eu já atendi e você?
  

Sejamos Gays. Juntos.
Abril 12, 2011

Adriele Camacho de Almeida, 16 anos, foi encontrada morta na pequena cidade de Tarumã, Goiás, no último dia 6. O fazendeiro Cláudio Roberto de Assis, 36 anos, e seus dois filhos, um de 17 e outro de 13 anos, estão detidos e são acusados do assassinato. Segundo o delegado, o crime é de homofobia. Adriele era namorada da filha do fazendeiro que nunca admitiu o relacionamento das duas. E ainda que essa suspeita não se prove verdade, é preciso dizer algo.


Eu conhecia Adriele Camacho de Almeida. E você conhecia também. Porque Adriele somos nós. Assim, com sua morte, morremos um pouco. A menina que aos 16 anos foi, segundo testemunhas, ameaçada de morte e assassinada por namorar uma outra menina, é aquela carta de amor que você teve vergonha de entregar, é o sorriso discreto que veio depois daquele olhar cruzado, é o telefonema que não queríamos desligar. É cada vez mais difícil acreditar, mas tudo indica que Adriele foi vítima de um crime de ódio porque, vulnerável como todos nós, estava amando.


Sem conseguir entender mais nada depois de uma semana de “Bolsonaros”, me perguntei o que era possível ser feito. O que, se Adriele e tantos outros já morreram? Sim, porque estamos falando de um país que acaba de registrar um aumento de mais de 30% em assassinatos de homossexuais, entre gays, lésbicas e travestis.


E me ocorreu que, nessa ideia de que também morremos um pouco quando os nossos se vão, todos, eu, você, pais, filhos e amigos podemos e devemos ser gays. Porque a afirmação de ser gay já deixou de ser uma questão de orientação sexual.


Ser gay é uma questão de posicionamento e atitude diante desse mundo tão miseravelmente cheio de raiva.


Ser gay é ter o seu direito negado. É ser interrompido. Quantos de nós não nos reconhecemos assim?


Quero então compartilhar essa ideia com todos.
Sejamos gays.


Independente de idade, sexo, cor, religião e, sobretudo, independente de orientação sexual, é hora de passar a seguinte mensagem pra fora da janela: #EUSOUGAY


Para que sejamos vistos e ouvidos é simples:
1) Basta que cada um de vocês, sozinhos ou acompanhados da família, namorado, namorada, marido, mulher, amigo, amiga, presidente, presidenta, tirem uma foto com um cartaz, folha, post-it, o que for mais conveniente, com a seguinte mensagem estampada: #EUSOUGAY
2) Enviar essa foto para o email projetoeusougay@gmail.com
3) E só!
Todas essas imagens serão usadas em uma vídeo-montagem será divulgada pelo You Tube e, se tudo der certo, por festivais, fóruns, palestras, mesas-redondas e no monitor de várias pessoas que tomam a todos nós que amamos por seres invisíveis.


A edição desse vídeo será feita pelo Daniel Ribeiro, diretor de curtas que, além de lindos de morrer, são super premiados: Café com Leite e Eu Não Quero Voltar Sozinho.


Quanto à minha pessoa, me chamo Carol Almeida, sou jornalista e espero por um mundo melhor, sempre.


As fotos podem ser enviadas até o dia 1º de maio.


Como diria uma canção de ninar da banda Belle & Sebastian: ”Faça algo bonito enquanto você pode. Não adormeça.” Não vamos adormecer. Vamos acordar. Acordar Adriele.


— Convido a todos os blogueiros de plantão a dar um Ctrl C + Ctrl V neste texto e saírem replicando essa iniciativa —



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Enfim, esse é o apelo da Carol!
Eu achei lindo e super criativo. Quem quiser conferir o manifesto dela é só clicar aqui!
Participem, pois só assim você poderá se sentir mais humano e ativo diante de toda a crueldade que esse mundo presencia dia após dia.
Conto com vocês!




#EUSOUGAY





12 de abril de 2011

Espelho, espelho meu!



Acreditar num conto de fadas parece ser a solução mais simples para a grande maioria dos nossos problemas. Perguntar a um espelho se o seu lado mais belo é o que está sendo refletido, se a sua espinha na testa não está aparecendo, se aquele joanete está bem escondidinho na sua bota nova de couro de vaca dos montes alpinos e por aí vai. Esperar a resposta do espelho com os dedos cruzados, torcendo para que ele não veja aquela sujeirinha que você jogou debaixo do tapete da sala. Nos limitamos a querer que nossas pavonices sejam muito bem disfarçadas pelo nosso rímel a prova d'água. Queremos, prevemos, adiantamos o futuro maltratando a nossa essência. Invejamos, queremos mais, somos mais confiantes no sucesso do que no trabalho que nos leva até ele. Invejamos, queremos menos, somos mais revoltados com tudo o que temos a fazer para conseguir aquilo que almejamos.


Ferozes, lutamos contra o nosso eu-interior e nossa condição de vida. Insanos, tememos que a vida não nos abra os braços acolhedores de uma manhã de outono. Ansiosos, desejamos uma vida de luxos e ouro. Riqueza de espírito não buscamos. Não travamos nenhuma luta contra essa vontadezinha indecente de não querer acreditar em nada ou ninguém. Ostentamos uma linda cauda, cheia de penas coloridas e uma linda coroa de penas no topo da cabeça e nos esquecemos de cuidar de tudo aquilo que ficou esquecido enquanto você pensava em vestidos, roupas, sapatos, perfumes e futilidades deliciosamente pecaminosas. Instigamos nossa libido até o nível máximo. Excitamos. Somos excitados. Alcançamos objetivos que foram traçados desde o início dos tempos. Uma cruz, uma profecia. Predestinados, lutamos irracionalmente para encher de orgulho àqueles que nos deram a missão. Não tenho missão. Me recuso a ser o fruto de sua projeção. Não espere de mim meias verdades, baby! Você não as terá. De mim, espere o mais doce veneno. Aquele que te acorda e que adormece. O veneno que te cura desse mal. Minhas penas coloridas são frutos do meu amor, da minha esperança, da minha luta em prol da minha própria vida, minha história escrita por uma linda caneta que ganhei do universo. Quem é você para dizer quem eu devo ser nesse mundo?


Nesse mundo, no meu mundo, eu vou ser herói. Vou desafiar dragões e vencer as barreiras. Lutarei contra crocodilos gigantes e contra piratas em pernas de pau. No meu mundo, no seu mundo também, nele eu farei história, contarei histórias, deixarei histórias lindas a serem contadas aos mais bravos guerreiros. Meus cavaleiros? Não os tenho, infelizmente. Sou um rei pobre de exército. Acredito que todos, bem no fundo, somos pobres de exército. No fim das contas, é sempre eu comigo mesmo e muitas batalhas e muitas derrotas e muitas vitórias e o melhor, as muitas alegrias. Não sou parte do seu projeto desenvolvimentista. Não quero olhar no seu espelho e fazer a estúpida pergunta que vem sendo repetida a séculos. Eu sei exatamente o que há de mais bonito em mim. Eu sei o que eu tenho de mais bonito e não quero saber se o que tenho é o melhor que existe no universo. O que tenho está aqui, pronto para ser colhido. Foi cultivado com amor, com carinho, respeito e algumas gotas de maldade. Afinal, quem não tem algumas gotas de maldade dentro de um frasco bonitinho que fica escondido dentro daquele armário velho? É pouco, mas existe. Não podemos mentir. Não podemos mentir porque precisamos disso. Serpentes (preciso escrever para o meu amigo Príncipe em breve) existem em todos os paraísos. Cabe a você escolher o seu caminho.


Espelho, espelho meu, existe alguém mais fútil do que você? Bem, espelhos nunca vão refletir nada diferente do que está à sua frente. Não espere que ele diga o que você mais quer ouvir. A resposta para todas as suas perguntas estão num lugar onde você, que vive grudado num espelho, ainda não conseguiu chegar - o coração. É lá que você poderá encontrar a resposta e a solução para os seus problemas. Espelho, espelho meu, onde será que escondi o meu coração? É tanta bagunça aqui dentro que não estou conseguindo encontrá-lo. Me ajude, Sr. Espelho! Faça de mim uma diva soberana entre os mortais. Torne-me imaculadamente angelical. Cubra-me com seu reflexo divino. No meu mundo, espelhos só refletem. No meu mundo, eles não disseminam a discórdia pessoal que cada indivíduo cultiva sobre si mesmo. No meu mundo eu sou rei. Um rei pobre de exército e sem coroa, mas ainda assim, um rei.

1 de abril de 2011

Sobre dentes, sorrisos e mordidas










Que tal você abrir essa porta que te prende nesse mundo de amarga solidão, dar o fora desse lugar vazio, saltar sem nenhuma proteção rumo ao desconhecido? Que tal você fazer tudo isso e parar de vez de choramingar tudo aquilo que você acredita (ou acha) que a vida deveria ter te dado numa bela bandeja de prata? A vida agora é o Sílvio Santos? Oi? Acorda, menina (#AnaMariaBragaFeelings), vem cá! Vem ver o mundo de verdade. Vem tirar essa venda de amargura e viver de uma forma diferente, linda, livre. A vida não vai te dar nada. Ela só te oferece sementes, mas é que você que tem que plantar. Você está preparado para sujar suas lindas mãos? Você está preparado para remexer terra?


A vida não vai trazer nenhum benefício para você. Ela já é boa o suficiente com você pelo simples fato de você existir. Ela pode não ter sorrido para você do jeito que vossa alteza queria, mas fazer o quê? Mostre seus dentes para a vida, tasque uma bela mordida nela e abandone esse véu de preguiça e acomodação que encobre seu coração. Ela está aí, pronta para levar um belo de um amasso. Sabe aqueles? Aqueles que te jogam contra a parede e te fazem perder a respiração cento e vinte e sete vezes por segundo. É disso que eu estou falando. É de sangue correndo por todos os poros de sua pele, de seiva bruta, de cheiro de terra fecunda e coração pulsante. É isso que eu quero que você entenda: ninguém chega a lugar algum sem lutar, sem sorrir para a vida e, ao mesmo tempo, sem dar uma bela mordida na bunda dessa gostosa.


Pare de ficar mordiscando o cantinho da boca com aquele gostinho de "tô morrendo de vontade de fazer, mas tenho pudor suficiente para reprimir todos os meus desejos". Pare! Pare já com essa história de querer ser aquilo que a sociedade ou seus pais ou seus amigos ou seus colegas de trabalho querem que você seja. Não deixe que te classifiquem. Você é único, poxa! Pode parecer clichê, mas você é único. Não tem ninguém igual a você. Não foram feitos lotes de Diego Muzitano ou de Fulano de Tal. Cada um tem um dom, uma alegria, um diferente jeito de sentir o sabor dessa maçã. Em algum cantinho desse eu-suprimido existe um bicho bem doce e feroz, uivando ao ver aquela lua cheia inspiradora.


Deixa o vento bater no seu cabelo e bagunçar todos esses pensamentos fúteis que permeiam sua existência. Deixe-se desalinhar. Em desalinho, seja firme, mostre a franqueza de sua alma e lave suas mãos perante o universo. Você não pode mudar o mundo sozinho, mas você pode mudar toda a estrutura do mundo que você criou. Deixe que o dia termine bem e, que seja o amanhecer, uma dádiva, um presente bem lindo que deixaram no cantinho da sua cama numa manhã fresca de um outono glorioso. São simples anseios, simples desejos, simples vontades de mudar o rumo. O nosso jogo é perigoso, confesso. Mas qual a jogada que não envolve algum risco?


O certo é que ninguém consegue dormir feliz sem que tudo esteja perfeito. Ai, a perfeição... Tão almejada e, por certo, tão distante de nós. A perfeição está nas pequenas coisas, não adianta procurar. Deixe esse filme acontecer, não pense no final feliz. Afinal, nenhum final é feliz. É triste porque acabou e triste porque não podemos acompanhar a evolução da história. Viva o seu presente! Desfrute-o. Cuide dele como quem cuida de uma bela rosa vermelha - dê carinho, amor, cuidado, atenção. Sorria sempre. O rosto fica mais iluminado com o brilho de sua alma sorridente. Sim, sorria com a alma. Deixe que sua alegria seja contagiante e que o cheiro inebrie os mais sóbrios. Mostre seus dentes para o mundo. Faça deles sua arma e sua bênção. Lute e viva.






28 de março de 2011



Você 
nasceu 
para
viver
ou 
esperar 
a
morte
?



22 de março de 2011

Fuga





"Tinha o fogo em suas mãos
e, dentro de si, o medo."
Nenhum de Nós








"Fazer bem" não é amor, não é amar, não é comodidade, não é ir e vir nas costas do outro. Fazer bem é sentir a brisa suave das manhãs de outono e se deliciar como quem experimenta, pela primeira vez, um sabor novo e impressionante do seu mais recente sorvete favorito. Fazer bem é ter água na boca. Aliás, água na boca faz muito bem. Fazer bem a alguém não pode satisfazer a alma de um apaixonado pela vida, de alguém que busca um amor para completude, de um amor livre de qualquer amarra do destino e do nosso próprio subconsciente.


Estar presente não basta, ser presente não basta, dar presente não basta. A presença que buscamos no amor é a resposta para tudo o temos ao nosso redor. Esse lance de energia, de campo gravitacional e etc e tal é uma coisa que me fascina bastante. Procuro sempre lançar no universo (que eu, ultimamente, venho repensando e chamando de "multiverso", por considerar tudo grande demais para ser apenas "uni") energias positivas, boas ações e, o mais importante, um largo sorriso para aquecer os corações desavisados. A vida é tão curta, né?! Num estalo perde-se o mundo. E esse mundo, mesmo tão doído, é tão bom, tão generoso. Você se joga no mundo sem saber o que te espera. Acho que esse é o nosso ato mais corajoso. Somos colocados à prova todos os dias, seja no trânsito, no trabalho, em casa ou na rua. Somos vistos por todos os tipos de olhos e, confesso, muitas vezes isso me assusta. Não sei que olhos estão me vendo e nem quais os objetivos deles. Isso é meio assustador, concorda?


Vamos bolar uma fuga? Sei lá... algo que nos tire do olho do furacão. Fugir nunca foi meu forte, eu sempre luto. Virtude ou defeito, não faz mal. É desse jeito que eu gosto de ser, porque eu vim com isso a esse mundo. Uma coragem desenfreada dentro do peito, um destemido intuito de arriscar e uma vontade louca de tentar algo completamente novo. Um novo jeito, um novo modelo, um novo caminhar. Não estou falando para você jogar toda uma vida medíocre para o alto, pintar o cabelo de verde e fazer uma tatuagem no pescoço (à la Natasha). Estou dizendo para você abrir o seu coração, olhar lá no fundo, limpar os destroços, reconstruir seus castelos e redirecionar seus caminhos.


Uma das minhas filosofias de vida é a seguinte: nunca deixe que te amem menos do que você mesmo é capaz de se amar. É uma via de mão-dupla, né? Concordo com vocês! Você precisa ter noção do tamanho do seu amor próprio para poder analisar o amor recebido. Somos capazes de tamanha compreensão do eu-interior? Temos capacidade de enxergar através de todas as nossas veias e artérias? Se não temos, fica a chance de tentar. Tentar sempre. Sempre. Aquele que errou por tentar já é vitorioso em vista daquele que deixou escapar a oportunidade pelo simples medo de tentar. Devemos nos entregar ao desconhecido, enfiar o coração na máquina de lavar e dar uma bela sacudidada nele. Arrumar as malas e expulsar toda essa angústia de dentro da alma é tarefa difícil, é para os corajosos, mas nada é impossível para aqueles que respiram. Se você está vivo, busque forças para lutar. Levanta e caminha. Busque o sol. A luz do fim do túnel nunca foi tão acessível àqueles que realmente querem quanto é agora.


Não. Não deite esses olhos assim sobre mim. Não esses tão cansados de lutar. Me deixei deleitar com seus olhos de jabuticaba sorrindo feito criança que ganha chocolate. Me deixe sentir o peso de suas retinas caindo suavemente sobre o meu corpo. Quero me banhar em todo esse contentamento, em toda essa alegria de viver que eu sei que está aí, bem fundo, escondido num lugar onde você colocou e onde só você poderá resgatar. Quero voltar a ver esse adolescente cheio de espinhas e muitos sonhos na ponta do lápis. Desenhe, rabisque, pinte a sua vida com todas as cores que encontrar pelo caminho. E muito cuidado com o que deseja. A mensagem que enviamos ao multiverso (gostei disso) é mais poderosa do que podemos imaginar. É como se o gênio do Alladin estivesse o tempo todo nos observando e nos concedendo desejos. Já pensou o estrago que você pode estar causando na sua vida sem saber o porquê?


Fugir não é caminho. Nunca vi uma placa que indicasse a estrada que leva para a Fuga, pois não é um lugar para onde nem devemos pensar em ir. Devemos é olhar pra frente, sem medo do que vamos encontrar. Olhar no fundo do espelho e buscar a nossa verdadeira essência, sem mágoas do passado, sem rancores, uma luta leal entre você e você mesmo. Porque tudo na vida tem um preço e as marcas que ficarão em sua alma são frutos de suas escolhas. O momento é agora: pare, repense, mude, conquiste. O mundo é seu. É meu (não sou de ferro, acredite). É nosso (eu acredito em todos vocês). Nunca dê ouvidos aos comentários que te fazem mal. Cuide do seu corpo, do seu espírito. Reflita e siga em frente. Feito isso, nada poderá te machucar, pois felizes são aqueles que acreditam no bem. Reconstrua-se. Demora, machuca, mas um dia cura.







Música é prece. Reze comigo.






"Tudo em volta parecia um sonho,
nada fazia sentido,
e nada será igual.
O silêncio das paredes esperava.
O silêncio esperava.
Então 'adeus" é mais do que um pensamento.
Então adeus..."
Nenhum de Nós







18 de março de 2011

Luz, câmera... redação!





 
Hoje vivi uma situação um tanto quanto diferente para mim - fui entrevistado. O tema da entrevista? Este blog que aqui vos fala. Jornalista que sou, não me acostumo com essa situação inversa de ter um gravador voltado para mim. Sou eu quem acostumava (hoje ando meio parado nessa vida de repórter) apontar essa poderosa arma para as outras pessoas. Pois bem, o jovem colega de profissão, ainda bem fresquinho no ramo, me fez algumas perguntas banais que todos nós (não posso me excluir) somos praticamente obrigados a fazer aos nossos entrevistados. É o famoso perfil. A entrevista corria naturalmente bem até que, meu (agora sim eu posso dizer que ele é) inexperiente e desinformado colega de profissão me fez a seguinte pergunta: Como é ser um blogueiro gay? Quais os diferenciais em se escrever crônicas sendo gay? Como você lida com o assédio? (Eu não ouvi isso!) Você não tem vergonha de se assumir num espaço tão público quanto a internet? Ele me fez todas essas perguntas de uma só vez, como quem tirava um fardo das costas e corria em disparado na direção oposta de mim. Espanto-me.


Espanto-me com a capacidade de um profissional da comunicação social, exercendo uma função tão social quanto o próprio nome diz, teve a imprudência de ser tão prematuro e ignorante. Ele morreu no parto? Me perguntei, meio abobado ainda. Enfim, me recompus, retoquei o make e me propus a responder tamanha falta de cultura daquele ser humano (sim, nessa fase da entrevista ele já não é mais considerado meu colega de profissão). Com muita serenidade respondi a ele todas as questões, começando pela primeira, obviamente. Eu me lembrava de todas as perguntas, coisa que eu tenho certeza que ele já havia esquecido.


Pois bem, como é ser um blogueiro gay? Como eu poderia saber os diferenciais, as especificidades em ser um blogueiro gay se eu nunca fui um blogueiro heterossexual ou um blogueiro bissexual ou um blogueiro transexual (tá tão na moda, né Ariadna)? Como eu poderia saber. Escrevo crônicas, contos, (arrisco algumas) poesias, piadas e até bula de remédio se precisar. Escrevo, sobretudo, com o coração. É a minha vida traduzida em letras e palavras e sons e sabores nesse espaço tão bonitinho que eu criei. E o melhor - de graça! Aqui eu escrevo sobre amor, paixão, sexo (porque não?), cotidiano, casualidades, acontecimentos importantes, enfim, eu falo sobre vida. Escrever qualquer coisa, sendo gay ou hétero ou bi e etc, não faz muita diferença. A não ser que eu me dedique a criar um espaço apenas para gays. O que não é o caso! Acho que esse repórter não se relaciona com todo tipo de gente. Eu sempre me dei bem com todas as tribos, falo os vários idiomas que todos eles falam, converso, passeio e me encho de alegria convivendo com todo tipo de gente. E o melhor, com inteligência e discernimento suficientes para saber (e discernir) que o que todos temos de mais singular (e incrivelmente bonito) são as diferenças. São elas que nos fazem ver sentido e razão para tudo o que existe nesse nosso multiverso (thanks, Gaga!).


Como você lida com o assédio? Que assédio, Brasil? HAHAHAHA Adorei essa pergunta dele porque eu pude, sem nenhum pingo de remorso, rir absurdamente da cara dele. Se eu falo de amor e descrevo no perfil do blog que eu sou muito feliz com o meu marido eu não preciso ficar dando trela pra quem quer seja, né?! Faça-me o favor! Next question, please! Sem chance, o jovem aprendiz de feiticeiro me fez uma pergunta tão imbecil inapropriada quanto a anterior. O mais difícil para todo ser humano que nasce desse jeito é se assumir diante do próprio espelho, é parar de negar a essência qeu veio ao mundo junto com ele. Passada essa etapa, o resto é fichinha. Entendo que muitos não tem coragem suficiente para "dar o fora de Nárnia", "ler a carta publicamente" ou, resumidamente, "sair do armário". Não os julgo. Aliás, não julgo ninguém. Se essas pessoas têm tanto medo de se assumir perante a sociedade é pelo fato de que todos nós sofremos uma lavagem cerebral durante o nosso desenvolvimento psicossocial. Os heteronormativos (aqueles que acreditam e tentam impor uma sociedade estritamente heterossexual) injetam altas doses de preconceito, arrogância, ignorância, burrice, imbecilidade, estupidez e uma generosa quantia de agressividade bem direto nas veias de todos os que nascem e crescem junto a eles. Só os fortes conseguem o antídoto. Só os mais poderosos se livram dessa maldição do preconceito imposto, da hipocrisia discarada, da agressividade nociva e da ignorância velada.


Somos todos obrigados a conviver com gente desse tipo - que pensa que o mundo terá a mesma estrutura dos tempos em que se seguiam as normas impostas por alguém, ou por um grupo de pessoas, por puro e simples medo. Medo de lutar, medo de se arriscar, medo de ser colocado mais ainda à margem da sociedade dominante, à mercê de gente sem coração. É óbvio que um dia, toda essa vida reprimida, viria à tona e nasceria para um mundo novo. Amor não tem gênero, não tem cor, não tem raça, não tem nacionalidade. Amor é amor aqui e será amor do outro lado do planeta. Amor vem do fundo da alma de gente boa, gente de verdade. E é desse amor que eu falo nesse blog. É de gente de verdade que eu falo nesse blog. É gente-amor!


A meu ver, repórterzinho, não faz diferença se a minha felicidade está em alguém com uma vagina ou um pênis. Não faz diferença se é negro ou branco ou amarelo ou cor-de-rosa. O importante é ter um sentimento bom no coração, algo que faz pulsar, que bombeia o sangue com mais delicadeza e que explode de emoção em vários momentos. Não faz diferença se você ama Elvis ou Mamonas Assassinas. É o seu amor que conta. Não faz diferença se você ama uma cantora de dentes separados e um talento enorme ou uma explosão de adrenalina pulsante que sonha em parir uma nova raça, sem preconceitos, sem ódio, sem discriminação e sem guerras. Cada um escolhe o seu herói, aquele a quem admirar. As causas da escolha são as mais diversas. Não importa. O que importa é que, humilhados e discriminados, nos agarramos àqueles que nos entendem e lutam pelos nossos direitos. Acho que é por isso (e pra isso) que essas pessoas existem - para fazer o bem a corações aflitos. Muitos vão ler isso e torcer o nariz, achar piegas, achar que eu estou exagerando, mas só quem viveu tudo o que TODOS a maioria dos jovens meninos e meninas diferentes dos demais viveu sabe do que estou falando. Só esses bravos guerreiros sabem o tamanho do estrago que aqueles gritos, aqueles xingamentos, aquelas risadinhas de cantinho de sala provocam no organismo e no psicológico de uma pessoa. No fim, acaba sendo disso que tiramos a força para sair do fundo do poço em que nos atiraram com tamanha crueldade.  Não adianta xingar, gritar, espernear e dar chilique. A bichinha resolveu falar que você não vale o chão que pessoas de bem pisam, ok? E pra você, meu querido, é Dona Bicha!








15 de março de 2011

E é o fim!

 
Tem muita coisa que eu não sei e que quero aprender. Sou o maior apoiador da teoria de que ninguém sabe tanto quanto pensa que sabe. Complicado explicar isso para um ser humano, né? Todo mundo pensa que sabe tudo, ou quase tudo, ou quase do quase do quase tudo, mas no fundo (bem no fundo) sabe que tudo que sabe é muito pouco ou quase nada perto de tudo que o universo tem a oferecer. Tem gente que se fecha dentro de corações aflitos, lágrimas cadentes e estrelas feridas. Esses acabam despencando de seu pedestal de luxúria, medo e ignorância. Outros abrem-se para a vida como um lírio desabrochando na primavera. Absorvem todo o calor humano que podem e assim constróem sentimentos fortes e soberanos. Esses são os chamados vencedores ou, resumidamente, felizes.



Acho absurdamente estranho acreditar que o amor resiste a tudo. Acho e acredito mesmo. O amor é um sentimento super nobre, admito. O coitadinho é pisoteado, humilhado, sofre, chora, grita, arranha as paredes do quarto, se joga na porta e, ainda por cima, é o Super Homem dos sentimentos. Mas todo Super Homem tem a sua kriptonyta! Isso é fato. O amor é assim, passa por todas as tempestades, reclama, clama, pede, suplica por um pouco de atenção, uma dose de cumplicidade, uma generosa porção de sensibilidade. O amor, por incrível que pareça, é o sentimento mais sensível da liga da justiça dos sentimentos. Deve ser pelo fato de todos invejarem, ansearem, buscarem ser/ter o amor. Ele não suporta tudo, pobrezinho.



O amor não suporta ser deixado de lado. Ser tratado como um zero a esquerda, um zé ninguém. Ele é muito mais que isso. E ele sabe disso. Ele precisa ser regado com gotas de felicidade todos os dias. Só os bem amados conseguem manter o equilíbrio das forças que habitam dentro desse tal de amor. Só os mais confiantes, os mais atenciosos, aqueles que mais querem fazer dar certo. Amor não suporta grosseria, bandidagem, tapa na cara (só tapa na bundinha). Depois que inventaram a palavra "desculpa", magoar os outros ficou fácil demais. Acredite, ninguém gosta de ser pisoteado. Um dia, o amor que sustentou toda uma vida, desaba em si, perde o controle, afoga o sentimento num balde de água sanitária pra ver se consegue limpar toda a sujeira. Não conseguem. A água sanitária só faz sufocar ainda mais o sentimento que já está fraco e sem forças para voltar à superfície.



Desperdiçado o amor, o lado mais fraco busca incessantemente o retorno, a volta por cima, a virada. Em vão, acaba se machucando ainda mais. Solitário, percebe que desperdiçou tudo o que a pessoa amada teve a lhe oferecer. Aí não tem mais jeito, a maquiagem já está borrada e a colombina bateu asas e voou. As feições despedaçaram-se em prantos de arrependimento, o brilho no olhar se foi e o sorriso não se vê há muito tempo. O amor? Existiu. Não existe mais. Ei, você acha que só porque é amor vai durar para sempre? Você acha que só porque é amor vai ser um mar de rosas? Você acha que o espetáculo não tem fim? Todo carnaval tem seu fim... e é o fim, já diria Marcelo Camelo. Quando o palhaço perde sua colombina, ele passa a entender o sentido daquela lágrima pintada em seu rosto. E é aí que mora o perigo. É aí que mora a desilusão. É aí que o palhaço sai de cena.










Pra vocês, a melhor música dos últimos tempos da última semana.
BRIIIMKS!
É Lady Antebellum, uma banda muito boa de se ouvir e se deixar apaixonar...

Need you now ♫ Lady Antebellum 








8 de março de 2011

Wonder Woman







Toda mulher nasceu cheia de superpoderes. Eu sempre acreditei nisso e sempre respeitei os vários dons que elas possuem. Um ser incrível, dotado da capacidade de gerar e nutrir a vida dentro de si. Um ser humano mais que especial e criativo, que sabe transformar dor em alegria, pranto em emoção. Que sabe transformar, como que num passe de mágica, um gesto de carinho na mais bela declaração de amor.


Toda mulher tem um pouco de deusa, de criadora, de multiplicadora. Toda mulher sabe acolher, proteger, iluminar. Quando uma mulher põe seus olhos sobre uma criatura, tudo se enche de uma paz que vem lá de dentro da alma. Tudo se renova, troca de casca, troca de casa. Deixamos o eu atribulado no fundinho de nossos corações e nos entregamos à magia daquele olhar, daquele toque, daquele despertar. 


Toda mulher merece ser coroada rainha de todas as gerações. Merece um manto, uma prece, uma melodia. Toda mulher precisa ser cuidada, regada, perfumada. Toda mulher merece uma rosa, um jardim, um grande campo cheio de amores, sabores, cores e um frescor natural de lavanda. A todas as mulheres, o meu muito obrigado por serem assim, tão amigas, tão compreensivas e tão minhas ao mesmo tempo. Sem vocês, o arco-íris não teria vida, o sol não brilharia com o mesmo vigor e nós, pobres mortais, não teríamos motivos para continuar a lutar e a buscar um mundo melhor. Piegas, né? Nem tanto.




 Feliz dia Internacional da Mulher 
para a minha mãe (minha DIVA loura),
minha sogra (minha DIVA morena quase loura),
minhas superpoderosas Déborah, Márcia e Fabiana
e pra todas as minhas leitoras gatuxas do coração!
Amo vocês!

3 de março de 2011

Simples desejo








A vida é cheia de passagens secretas, atalhos, labirintos, encontros e desencontros. Não é preciso muito para enxergar a lição em cada gesto, em cada toque, em cada encontro de energias. A química rola solta pelo ar e eu só tenho um simples desejo: andar a toa pela vida, como quem desfruta um eterno e legítimo dolce far niente. Está no ar, na terra, no brilho de um olhar tranquilo, a resposta de tudo o que nos move no universo desse multiverso transcolorido e fluorescente. 


Hoje eu só quero que o dia termine da forma que ele quiser. Confio na vida. Confio no tempo. Confio na força do bem. Eu não quero tudo. Não quero tudo de uma vez. Não quero tudo aos poucos. Quero o detalhe da fotografia, a sombra da macieira, o grão de areia. Eu quero o que a vida tem de bom. Eu quero oferecer mais do que receber. Quero que a vida desperte para mim todas as manhãs com um sorriso tão largo que arrebente nos cantos das orelhas.


Quero vida saindo pelo ladrão e espanto emocionado no mais belo pôr-do-sol do mundo - aquele que está dentro de nós, que não esconde o sol, mas guarda dentro de si o brilho e o calor que deixou de ser visto a olho nu. Alegria tem que exalar feito perfume, feito cheirinho de rosa e aroma de comida da mamãe. Pra quê se preocupar com a tão sonhada verdade do universo? A vida é agora, aprende. Aprende e vive!