25 de julho de 2011

E se eu não conseguir voltar?











E se tudo ficar perdido na poeira do tempo? E se tudo o que sempre sonhei estiver indo para o fundo de um poço úmido e escuro? E se eu não conseguir tirar isso tudo de lá? Não sei se tenho forças suficiente para aguentar o mal cheiro disso tudo... não sei se consigo. Aquele velho e bandido aperto no peito, aquela lágrima que fica presa no céu da boca, aquele suspiro triste de quem passou a noite tentando entender o que está errado. É nesse mundo que a gente passa a sobreviver depois das porradas do amor. Ah, o amor! Esse grande canastrão, esse filho de uma puta, esse vício que nos acorrenta.



Se eu pudesse escolher, não amaria de novo a mesma pessoa. Não agora. O amor se fez descrente pra mim nesse momento. Eu conheci o lado negro da moedinha dourada e não gostei do que vi. Eu esperava coerência, discernimento, maturidade. Tudo que encontrei foi um grande lago de m*&#$, um grande poço de vaidades, um grande oceano de falta de respeito por quem tanto se respeitava. Estou em pedaços e não tenho forças para juntar os cacos. A queda foi grande, o impacto abalou as minhas estruturas e eu estou sem vontade de acreditar num futuro melhor.




Pelas costas? Jura? Tinha que ser nessas costas que se colocaram na sua frente tantas vezes pra te defender? Tinha que machucar esse meu já tão picotado coração? Essa navalha que vocês, agressores, usam arde enquanto corta. É uma dor lancinante, é uma dor seca e voraz. Ela passa devastando toda a superfície do coração antes de atingir as principais artérias. E isso doi! Doi muito e doi como nenhuma dor que você já me causou consegue doer. E esse seu silêncio? Você não acha que eu mereço ter os seus ouvidos pregados na minha boca enquanto eu despejo toda a ira que essa sujeirada toda me causou não? Você não acha certo saber se o babaca aqui está vivo ou morto, não? Quantas perguntas pra você, né? Justo você que sempre gostou de ser essa interrogação ambulante. Justo pra quem estou eu perguntando esse monte de desespero meu... triste fico, triste estou.



Eu preciso tentar descobrir quem você é verdadeiramente, porque eu sei exatamente quem sou. E todo mundo sabe quem eu sou. Eu quero conhecer o que existe desse outro lado aí, já que você não ajuda nessa minha volta. Tudo o que eu sempre quis era alguém que me amasse, que se entregasse a mim de corpo e alma (da mesma forma como eu me entrego a cada segundo), que me falasse a verdade na hora certa e não desse valor ao passado que eu não gosto de saber. Não me deixasse saber, não me deixasse encontrar rastros desse seu eu que eu tanto detestaria conhecer exatamente por ser tão diferente de tudo o que eu sempre quis. A mim, resta-me a dor e a dúvida. Essas duas danadinhas que me fazem gotejar sangue por todos os poros. O que eu faço? O que eu devo fazer? Como proceder diante desse inferno? Como arrancar essa dor do meu peito? Como fazer parar? São tantas perguntas e poucas pessoas para me ajudarem a responder. Insensato amor, não faça mais isso comigo. Não comigo. Não com esse cara aqui... ele só faz querer bem e fazer o bem e ser do bem. 



"Amanhã é outro dia, aprendi isso hoje!" Aprendi com o Caio F. e com minha amiga: amanhã, por mais difícil que o hoje esteja sendo pra mim, será outro dia. Espero que isso passe, que a dor se dissipe, que o meu peito volte a sorrir aquele sorriso de primavera ensolarada, porque hoje... hoje ele está escuro, úmido e cheio de morcegos.







11 de julho de 2011

Poço dos desejos











Eu preciso, eu quero, eu necessito. Será? Será mesmo? A gente precisa mesmo de tanta coisa assim? Explicações, justificativas, remorsos, contusões e quedas - tudo isso move um grande exército dentro desse nosso tumultuado coração. A vida, vezenquando, dá uma pisoteada na auto-estima da gente, mas isso é natural. É quase um teste dizendo para você: "ei, você é melhor que isso, levanta aí, vai à luta, se joga". E, depois disso, conta pra mim o que te faz ser assim? Tem jeito? É falta de alguma coisa material, de amor, de carinho. É carência? É pura pirraça? Manha? Ciuminho? O fato é que existem momentos em que essa auto-aceitação é o primeiro passo para deixar para trás velhos costumes e hábitos e seguir em frente. 



Sempre nos preocupamos com o passado, com o que ficou pelo caminho, com o que sobrou. O passado, de forma alguma, não deve ser motivo de vergonha ou desconforto quando, no presente, tudo já está diferente do que era. A mudança faz parte do caminhar e a vida é essa eterna metamorfose. De lagarta, nos transformamos em casulo para poder alcançar a plenitude da borboleta. Assim é a vida, muitas vezes queremos esconder a nossa fase não-tão-bonita-quanto-os-contos-de-fadas pregam por aí e fingir que fomos apenas casulo e borboleta. O aprendizado não deve ser motivo de vergonha, repito.



A gente fica se cobrando soluções, respostas e avaliações positivas sobre a vida, sobre o amor. Os caminhos são sempre os mais cheios de pedras até alcançar o topo da montanha. A vida, esburacada, te joga em muitas armadilhas. O coração, na maioria das vezes, cai em todas as armadilhas. A liberdade é algo que bagunça tanto que a gente acaba preferindo a velha e tradicional casa arrumadinha. Somos preguiçosos e não gostamos da mudança. Mesmo que você não troque de casa, de amor, de amigo, de sapato, a mudança deve ser presença na sua vida. Mudar faz a raiz se fortalecer, os laços ficam mais bem acabados, o pacote fica lindo no fim das contas. E se não ficar? E se der errado? E se... Chega de tanto "e se?". Arricar-se é cada vez mais um tarefa difícil de ser executada. 



Queremos, a todo custo, esquecer e apagar a vida que se viveu. Pedimos aos céus que nossos desejos sejam atendidos. Desejamos jogar uma moedinha antiga num poço dos desejos e ver todos os problemas cotidianos desaparecerem como em um passe de mágica. Ledo engano. Somos fadados à decepção quando tentamos ser o que não podemos, quando julgamos os outros pelo que eles foram, quando não perdoamos e aceitamos as diferenças. Uma relação saudável se faz pelo carinho de ver a pessoa amada dormindo, pelo prazer de buscar um pão na padaria para o café da manhã, pela construção de uma intimidade forte e cheia de empatia. O poço dos desejos só deve ser alcançado quando soubermos o nosso verdadeiro objetivo. Não posso simplesmente querer chegar a qualquer poço dos desejos e fazer qualquer pedido. Tem que ser o meu poço dos desejos e o meu verdadeiro desejo. Tem que ser tudo meu e tudo muito consciente.



Tem gente que passa a vida inteira tentando apagar o passado do companheiro, esquecer, anular. Tudo o que foi vivido (por ambos) preparou o casal para viver o relacionamento que eles têm hoje. As cicatrizes, as marcas, as veias que saltam no pescoço nos momentos de fúria e as belas coisas vividas também são parte importante do passado. Porém, não é o passado que está em andamento, mas sim o presente. Não queira ser a pessoa que ele (ou ela) amou. Queira - e seja - a pessoa que ela ama hoje, a que ela escolheu amar. Não queira ser o amor que não deu certo, motivo pelo qual faz parte do passado. Queira ser o amor certo, o que deu certo. Quando decidir chegar ao seu poço dos desejos, não leve moedinhas ou incertezas. Leve seu objetivo e sua verdade.




5 de julho de 2011

Duas ou três páginas...











Eu me recuso a cultivar o ódio, rancor, raiva, mágoa. Me recuso sempre e me recusarei quantas vezes forem necessárias. Gosto das coisas bonitas, dessa fonte sem serifa, desse formatinho do texto, das paragrafações harmônicas e da minha vida sempre em frente. Quando eu pensei em desistir, o vento quase me derrubou para mostrar que o caminho é reto, sem curvas ou desvios. Os atalhos não devem ser levados tão a sério. São aprendizados de uma infinita história. Ontem eu joguei fora tanta coisa. Eu não quero mais esses velhos erros... eles não cabem mais em mim. Peguei aquele jeans que não me serve mais e doei pra quem tem frio, assim como estou doando aquele abraço que já não serve mais a ninguém.



Estou doando alguns medos e aquela mochila velha que eu carreguei por tanto tempo. Pode pegar se quiser, é tudo seu. Medo só faz bem quando a gente sabe administrar e eu, bem, não sou muito bom em administrar coisas que me fazem sentir medo de ter medo. Não quero, não vou, não posso. Não posso continuar querendo tapar o sol com a peneira e acreditar que todo mundo no mundo consegue ser sincero e verdadeiro comigo. Não posso pensar que você é verdadeiro e sincero comigo. Deixa eu te conhecer melhor, te olhar, te ver realmente. Só assim eu vou saber se posso mesmo confiar em você. Eu tenho um olho bom pra essas coisas.



Peguei aqueles meus defeitos que já estavam empoeirados, organizei e guardei numa caixa preta com bolinhas brancas. Não vou jogar fora, pois posso precisar consultá-los de vez em quando. Eles já me quebraram muitos galhos. Os meus bloquinhos de anotações eu guardei tudo também. Arranquei duas ou três páginas, mas elas nem fazem tanta falta assim. Frustrações, decepções, desencantos e desencontros eu trouxe até aqui só para te mostrar que ninguém vive sem eles. São amigos-íntimos de todo ser humano. Os que já passaram, joguei tudo fora junto com aquele suéter que não entra mais nesse corpinho 2.4 flex. 



Estou esgotado, definitivamente, de guardar tudo o que não me faz bem, me faz feliz. Tudo o que não vale a pena vai para o lixo. Passei a entender melhor as minhas inseguranças e a acreditar que ninguém poderá fazer você feliz. Isso é tarefa sua. As pessoas podem, simplesmente, te proporcionar momentos felizes, mas é você que dará sentido a eles. Nem sempre eu quero ser entendido... não faço questão alguma de mostrar para você o que realmente está acontecendo por trás dessa lágrima indecente que teima em cair. Eu não sou fácil de se decifrar. Digamos que é um grande erro tentar me decifrar sempre. Vai ter vezes que eu não vou querer isso e, principalmente, você não vai querer isso. 



O meu caminho estou escrevendo e é importante ressaltar essa autoria. É meu, meu e meu. Sou eu quem decide quem fica no coração e quem fica pelo caminho. Sou eu quem julga necessário ou desnecessário. Dessa minha vida aqui, cuido eu. Você cuida da sua e faz o que bem entender com ela. Somos diferentes o bastante, capazes o bastante, ferozes o bastante. Independente de qualquer coisa, o importante é seguir em frente. Olhar para trás causa um grande torcicolo para a alma. O pescoço fica paralisado, sabe? Acredito na importância que determinada pessoa teve em um determinado momento da sua vida e isso me basta. Não adianta eu querer estender essa sua estadia no meu coração. É preciso aceitar que tem gente que vai passar. Que passa. Sim, passa e você deve deixar passar sem dor, mágoa ou rancor. A vida ensina o que a gente não trouxe na bagagem e aí a gente guarda tudo com um lindo laço de fita vermelha paixão, porque se apaixonar é sempre preciso. Paixão pela vida, amigos, família.



É aí que você pensa que eu tenho todas as respostas e me pergunta: e agora, o que você irá fazer? Eu te respondo: bem, eu vou ficar aqui. Talvez eu compre um pretinho básico novinho em folha, uma blusa estilo Freddy Krueger, um sapato novo e saia por aí celebrando meus erros, acertos, encontros e desencontros. Talvez eu abra uma garrafa de vinho e brinde a esse ser tão errante e humano que sou. Mas, com certeza, parado eu não vou nunca ficar e nada vai me parar.










1 de julho de 2011

As flores






Eu gosto de gente que fala o que pensa na minha cara. Gente que machuca e não faz ninguém refletir é o que mais há. O bom da vida é o tempo - ele te mostra as verdades que essas pessoas não tem coragem e peito pra dizer na sua cara, bem ali, diante do seu narizinho. Se faz de vítima, se faz de santa por querer. Mas o querer é mal-querer disfarçado. É isso? Cinismo, hipocrisia, preconceito. Você só compreende quando atinge diretamente você!



A gente não faz questão dos espinhos, mas o perfume da flor é sempre indispensável. E tem gente que nasceu só com os espinhos. O perfume? Bem, o perfume é que eles conseguem colher das pessoas verdadeiramente perfumadas que estão ao seu redor. Isso chama-se parasitismo. Você permanece ao lado dos perfumados para tentar absorver um pouco daquelas fragâncias que encantam tanta gente. Uma vez absorvido, esse perfume inebria tanto, tanto, tanto a flor desperfumada que ela passa a acreditar piamente que o tal perfume é realmente exalado por ela. Por favor, dona flor, abre teu olho e perceba que sem perfume não somos nada. Dá uma adubada nesse teu solo, limpa as daninhas, cuida de regar todos os dias e veja se consegue adquirir um perfume próprio. Faz bem, é certo, é honesto com você mesma.



É meu povo, a gente dá umas topadas vida afora. A gente acredita, luta, defende, oferece uma segunda chance, mas o espinho fala mais alto na flor. Ele consegue repelir o que há de bom e ainda consegue fazer com que, soberana, a flor não perceba que de vítima não tem nem o nome. Tem gente que é assim - acredita tanto em si mesmo, que acaba pensando que a bondade e a generosidade fazem parte daquela alma sombria e completamente resguardada de qualquer esforço multilateral de entendimento do outro. Eles fazem disso a verdade deles. Uma verdade tão absoluta que chega a cegá-los e a deixá-los completamente alheios ao que acontece no jardim como um todo. 



Essa flor, com espinhos, sem perfume, sem cor, sem vida própria só faz se fortalecer dentro de um mundo ilusório criado para ser o refúgio nas horas difíceis. Essa flor já teve tudo, mas perdeu. Perdeu e deixou-se perder. Não fez questão alguma de ser flor de novo. Fez da beleza um legado artificial de euforia. Lidou com histeria a todo tipo de novidade. E o encantamento? Onde foi parar o encantamento? O encantamento, meus caros, esse secou há muito tempo. Essa flor, tão iludida e tão solitária, acredita-se linda e radiante. Ela não percebe que o destaque que tem é tão somente o vulto de toda a solidão de sua alma. Ela está sozinha porque quer. Porque é dona do próprio nariz e não precisa entender o mundo em que está inserida. Ela quer falar de amor, de paz, de sentimento, mas de amor (amor mesmo, amor que move o mundo e as pessoas) essa pobrezinha não sabe nada. Bem mais que seduzir, essa flor deveria preocupar-se em cultivar o perfume. Afinal de contas, ela é uma flor e não uma sereia.



Ai flor, vem para o mundo das coisas bonitas. Deixa de lado essa sua pseudo-verdade. Ela só faz mal ao seu brilho e à conquista do seu próprio perfume. O que você, flor soberana do jardim, pensa a meu respeito não mais importa. Na verdade, nada mais importa em relação a você. O que você precisa agora é se estabelecer, conquistar novas flores para sugar o perfume e, se quiser um conselho, corre atrás do seu perfume! Isso só faz a alma da gente crescer... mas crescer verdadeiramente. Frases jogadas ao vento, fotos da sua beleza fabricada e risos populares nas madrugas não fazem de você uma estrela no jardim. Na verdade, a grande maioria das outras flores (as que conseguem compreender seu desespero) sabem que tudo isso não passa de uma farsa. Você criou um nome, um CPF e tem até uma caixa postal para esse seu outro eu. Apesar de tudo, não consigo de forma alguma acreditar nessa sua verdade, nessa sua bondade, nesse seu extra-hiper-mega-senso de alegria e justiça.



Por que você quer ser tão diferente num mundo onde todos são tão iguais? Somos semelhantes, flor. Não seja má como as outras pessoas. Busque esclarecimento. Aprenda sobre as diversas personalidades humanas que te cercam nesse jardim. Veja, todos somos muito iguais, mas as minhas pétalas são bem diferentes das suas. Não quero mais ficar aqui ao seu lado. Não quero ficar tão perto de você. A amizade dura enquanto existe respeito, compreensão, coerência e afinidade. Nós já nos perdemos nesse caminho. Nossos espinhos são em menor ou maior quantidade dependendo do perigo que corremos e do tanto que precisamos nos defender de, dentre outros fatores, flores como você. Toda flor tem espinhos, mas, no seu caso, são os espinhos que têm a flor.



Isso foi só um desabafo desabado alma afora...






28 de junho de 2011












"É sempre assim que acontece - quando a gente se revela, os outros começam a nos desconhecer."
  
Não, a frase não é minha.
É daquela que melhor fala de mim - Clarice Lispector.





27 de junho de 2011

Meu amor novo de novo






A vida sempre segue um rumo meio desconfiado e intrigante. Encontros, reencontros, despedidas e o meio termo entre todas essas passagens. Tudo isso faz parte dessa nossa aventura na terra. Muitas vezes fica tudo numa pegada meio dark, meio sombria demais pra suportar, mas isso é a vida e nós temos que aprender a lidar com essa louca dança. Fica comigo? Assim, bem pertinho... vem cá, se aconchegue nesse meu abraço que nunca conseguiu esquecer esse cheirinho de criança que sai de dentro de você. Vem e traz consigo aquele meu velho sorriso. Aquele que você levou quando resolveu abandonar a cama quentinha que eu fiz pra você no meu coração. Traz de volta pra mim aquela minha alegria de achar tudo muito lindo e colorido. Faça com que eu sinta você verdadeiramente pulsante dentro de minh'alma. Eu só preciso disso. Eu só preciso que você aceite isso que está dentro de você.



Essa confusão de sentimentos, esses detalhes esquecidos, aquela lembrança boa daquele beijo ao entardecer de um lindo dia, onde nós dois estivemos juntos por uma eternidade num único segundo. É de tudo isso que eu quero me lembrar e é só isso que eu queria ter de volta. Não sei se é possível reconstruir um passado. Todos tentam. Em vão, mas tentam. O passado é somente o passado. Depois disso tudo que vivemos, fica claro que precisamos nos reinventar. "Oi, tudo bem com esse novo você? Ele vem sempre aqui? Gostei dessa camisa nova, esse jeans rasgado e esse cabelo meio bagunçado! Tudo bem se eu me sentar do seu lado?" É um novo fôlego para aquele velho amor de ainda e sempre. Tudo se quer. Tudo se volta para você. Esses holofotes iluminam muito mais do que essas marcas de expressão que eu adquiri com a sua ausência. Eles mostram um mapa da minha saudade quase que numa super visão de raio-X do Superman. Esse mapa só me leva a você.



Que tipo de amor é esse que eu trago aqui dentro? Quando é que vou poder te mostrar que eu te quero? Esse querer disfarçado de confusão é o que mais me mata. Isso realmente acaba comigo. Você não vê que eu fico em chamas do seu lado? Você não sente isso. Ah, eu sei que você sente. Você sente e percebe. Mas o que eu posso fazer se você não dá o braço a torcer? Que turrão você é e quanto amor eu venho arrastando pelo caminho, se arrastando, me arrastando. Tudo se confunde nisso tudo. Eu só queria que você pudesse olhar para mim e reconhecer aquele brilho no olhar de quando eu olho para você. Faz isso por mim? Me mostra que você não tem medo de tentar mais uma vez? Mais uma vez comigo? É só isso que me importa: que você me queira tanto quanto eu te quero. Eu não preciso parar para cuidar de mim. Minha alma é muito mais cheirosa e bem cuidada quando estou junto de você. 



O nosso problema é esse afastamento, essa distância que nos corta, nos machuca, que reabre as cicatrizes de outros tempos do nosso amor. A gente se corta, se machuca, se reinventa e fica louco pra ter de novo um ao outro. Que amor bonito, que coisa boa. Somos reincidentes nesse crime, fomos condenados a morrer de amor, um pelo outro, por toda a vida, em todas as vidas. Essa inconstância que nos condena a esse abismo nada mais é do que a imensa vontade de fazer (e de te falar) que eu não suporto viver sem saber que você está ali por mim, para mim e, ao mesmo tempo, para você. Sim, eu aceito ter todos esses vocês que vivem aí dentro. Sim, eu quero me esforçar para agradar a todos esses que vivem aí dentro. Faça isso por mim também. Me veja com olhos mais que humanos, me veja como seu melhor amor. Chega bem pertinho, me dá sua mão, sente esse cheirinho bom de amor renovado. Quer dar uma volta, conversar, ser meu amor novo de novo? Então vai lá, se cuida, se perfuma e volta pra mim, porque eu só consigo caminhar se for com você ao meu lado.






"Acredito nos olhos de quem está apenas observando, 
aprendendo, sem julgamento. 
Acredito que existe um lugar para mim, 
assim como existe lugar para todo mundo. 
Porque existe lugar para todo mundo. 
É só procurar... Eu acredito. Acredito no tempo. 
O tempo é nosso amigo, nosso aliado, 
não o inimigo que traz as rugas e a morte. 
O tempo é que mostra o que realmente valeu a pena, 
o tempo nos ensina a esperar, 
o tempo apaga o efêmero e acaba com a dúvida."
Caio F.








22 de junho de 2011

Gaypride


 








Quando o mundo quiser sufocar o seu verdadeiro "eu". 
Quando tudo parecer não fazer sentido algum.
Quando tudo não for sentimento.
Seja você.



Quando tudo não te sorrir o riso mais legal.
Quando você quiser gritar bem alto.
Quando você desanimar.
Seja você.



Quando você parecer inadequado demais.
Quando as regras forem obscuras.
Quando você desistir.
Seja você.





Tenho orgulho de ser gay porque querem me obrigar de todos os lados, de todas as formas, todos os dias e minutos e segundos a ter vergonha de ser quem eu sou. E isso não acontecerá.






18 de junho de 2011

Avessos











“Eu vou gostando, eu vou cuidando, eu vou desculpando, 
eu vou superando, eu vou compreendendo, eu vou relevando,
eu vou e continuo indo, assim, desse jeito. 
Sem virar páginas, sem colocar pontos e vou dando muito de mim, 
e aceitando o pouquinho que os outros têm pra me dar.” 
Caio Fernando Abreu



Ah meus bons conto de fadas! Plagiando aquela velha senhora travestchy dazoropa tento escapar dessas filosofias tortas de fundo de padaria da esquina. Tem gente que ainda acredita (e muito) que a vida resolver-se-á quando um príncipe lindo e reluzente der um chega pra lá naquele dragão baforento. Que coisa bem estranha essa nossa mania de fazer da vida um eterno conto de fadas, né? Será que eu acordei meio rígido demais hoje? Acho que não. Tem muitos dias em que eu me pergunto por que essas pessoas insistem em acreditar em um conto de fadas? Por que essas pessoas acreditam que um dia eu vou ser aquilo que elas esperam de mim? Enfim. "Como assim?", me pergunto perplexo diante dessas pessoas que querem cuidar da minha vida, mas não querem pagar a conta da minha amada loja de queijos e vinhos.


Que tipo de gente é essa que, em pleno século XXI, acredita que vai viver dentro de um padrão completamente arcaico e ultrapassado. Oh, please, keep away from me! Me deixa de fora desse Clube do Bolinha, porque eu já passei da idade e do peso pra brincar de Power Rangers com vocês, ok?! Acho que o único objetivo que pessoas desse tipo têm na vida é atazanar a existência das outras que, se não fossem os parâmetros pré-estabelecidos, seria extremamente felizes e completas. Vivemos numa democracia falsa, onde tudo é proibido para quem é diferente da receita tradicional do bolo da vovó. Estamos fadados a decepções aristocráticas o tempo todo e fazemos disso um legado de dor e constrangimento. A pressão é tamanha que eu sinto que vou explodir algumas vezes. Será que essas pessoas, com essas normas e leis falidas e preconceituosas, fazem muita gente de bem sofrer como um cão? Será que é esse o propósito desse mundo? É fazer sofrer?


Ninguém percebe o tamanho do estrago e, muitas vezes, de posse de uma hipocrisia deslavada, diz que sabe exatamente como você se sente. Me desculpem, caros leitores, mas sabem o cacete! Essas pessoas não sabem nem metade do que se passa na vida, na cabeça, no coração, na alma dessas pessoas que são extremamente maltratadas e judiadas a vida toda pelo simples fato de ser diferente. Qual o problema desse povo que julga como se fosse Deus? Deus não é amor? Que suposições falsas são essas? O que essa gente quer de mim? Que eu seja infeliz? Sorry, honey, mas eu vou ser feliz sim! Eu posso, mereço e quero ser feliz! E essa sim é uma decisão que podemos e devemos tomar todos os dias quando amanhecemos. O amanhecer em mim não pode ser trágico sendo eu tão saudável e cheio de força de vida. É vida pulsando por toda a parte. É vida saltitando por eu poder ser exatamente aquilo que eu preciso ser no mundo - uma mudança viva e constante, um ser completamente ativo nesse panorama.


Eles chegam, te devoram com suas condições pseudonormativas, fazem de você uma ameba, promovem uma lavagem cerebral e, aí sim, soltam você nessa selva ridícula de gente estranha que só pensa em se promover e se mostrar mais poderoso que eles próprios. Querem fazer de você uma máquina programada, um poderoso chefão que não manda nem no próprio nariz. Não, esse não sou eu. Esse não serei eu. O verdadeiro eu que habita em mim precisa de muito mais para continuar vivo. Ele precisa de você, de você e de você também. Esse meu eu é sedento de saber, de conhecer, de experimentar. Ele precisa de muito mais que seu arroz-com-feijão pra ser feliz. Essa lavagem cerebral é completamente reversível, basta você querer. Porque é sempre assim - a vida chega, te vira do avesso e aí você acaba descobrindo que o avesso é o seu lado certo.





17 de junho de 2011

Quer conversar?











Quer falar sobre o assunto? Quer ajuda? Pode falar. Vou te ouvir com a maior atenção do mundo. Essa nossa vida é tão corrida, né? Talvez esteja realmente faltando mais diálogo entre você e eu. Somos obrigados a capitalizar nossa vida de uma forma tão descontroladamente insana que nos esquecemos da nossa engrenagem mãe - a conversa, a intimidade, o desabafo. Fala comigo o que te aflige, o que te faz sentir aquele frio na barriga, aquilo que te faz perder o sono. Me conta sem medo, todo mundo tem medo, mas precisamos falar, gritar, berrar. Conversar faz bem, alivia a alma, seca as lágrimas do coração, faz cantar os passarinhos dentro da nossa cabeça.


Tem momentos que a gente realmente só precisa de um bom par de ouvidos, né? As coisas começam a desandar, você fica preocupado, quer falar, ninguém pra ouvir. Os que ouvem interpretam você como se fosse um monstro. É estranho, diferente e anormal essa aversão que o ser humano tem pelo seu semelhante. Não me venha com hipocrisia de fundo de butequim, baby! Todos nós, em algum momento da vida, sentimos algum tipo de sentimento não-tão-bom-assim por outra pessoa. Não existe alguém 100% gente boa. Todo mundo tem seus prós e contras - isso é a vida e é importante e é real. O que a gente não pode é esmorecer, deixar a peteca cair, o pneu murchar, a vida falar por você. Quem tem voz aqui é você. Fale. Expresse-se. Transforme sentimento em palavra. Isso é importante e não te deixa adoecer por dentro.


A vida vem me ensinando a falar cada vez mais aquilo que não me faz bem. O resultado é sempre bom, por mais que você perca ou se perca no caminho. O essencial é que você estará realmente ali quando expressar seu sentimento. Será sua essência chegando na frente e dizendo: "ei, isso aqui não tá certo, não! Vamos falar sobre isso e ver o que está fora do lugar". Quando a gente passa por situações difíceis fica complicado quebrar a carapaça e mostrar o que está sofrendo lá dentro, porque fazer isso não é tão simples quanto abrir uma porta. A alma humana é um cadeado que perdeu a chave. Estamos sempre em busca de algo mais, algo estranho, alguém que nos diga o que fazer. Talvez isso diminua nossa culpa, talvez isso torne tudo mais ameno, talvez você não precise se abrir para o mundo. Talvez, talvez, talvez. Acaba logo com esse talvez e mete a mão na massa. É complicadíssimo, eu sei, mas essa chave deve estar em algum lugar. 


Sabe... tem coisa que a gente deixa passar e vira uma bola de neve tão grande que ninguém consegue controlar. Eu tenho medos constantes que me aterrorizam todos os dias. Um em especial me faz gelar a espinha. Você acha que eu falo sobre ele? Nem falo. Vou falar. Estou me educando para isso, nem que seja preciso recorrer a um "profissional da conversa", vulgo psicólogo.


Será que tem alguém aí disposto a me entender?



 



“Aquilo que não vira palavra, vira sintoma!”

Sigmund Freud

27 de maio de 2011

Resistir!





É quando os velhos se fazem estranhos e os tão mais novos se mostram antigos conhecidos. Tem gente que se perde no caminho, mas o bom é o que a gente encontra esquecido por aí. Novos corações, novas cabeças, novos sentimentos. Mais do mesmo. Só que com uma roupinha xadrez diferente daquele tubinho preto que não te serve mais...
É quando você percebe que muito do que se viveu conseguiu ser superado por aventuras maravilhosas no fantasioso país das maravilhas e aquilo que tanto importava se tornou lugar-comum na vida de quem outrora se amou. É quando toda a culpa desse desgarrar recai toda sobre as suas cansadas costas. Será que você pagará o preço pelo tanto que se amou? Será que tudo será sempre dessa forma? Será esse eterno recomeçar? 
É quando o cigarro não te satisfaz, a vodka te faz esquecer do próprio nome, as músicas já não falam tanto assim sobre você e as luzes já perderem todo aquele brilho de encantamento. É quando você se sente oculto em si mesmo e tenta gritar por socorro dentro de um poço escuro e úmido. De olho em você, paranoico, prenda-me. Faça de seu legado de euforia minha alegria por um segundo. De quem é toda essa culpa que trazemos entre nós? De quem será a conta no final disso tudo? Por que se perder? Por que nos prender? Por que motivo só o seu mundinho é o mundo correto de se viver. Pagamos o alto preço de nossas escolhas e, no fim das contas, percebemos que o déficit que você imaginava irrisório é, na verdade, muito maior do que você pensou que seria. 
É quando palavras sem sentido algum começam a saltar da ponta dos seus dedos e se jogam nesse precipício branco com bolinhas pretas. Pecados, angústias, medo. Medo da perda certa. Essa perda que você vê, acredita que está vendo, acredita que é real e que, ainda assim, é camuflada pela alegria de algumas poucas palavras. É quando você é acusado de substituir certos conceitos e padrões quando a realidade é outra: você e seu mundinho imutável foram substituídos pela ganância do ter mais do que poder. 
É nesse meio tempo que você enxerga o brilho no olhar daquele antigo novo amigo, aquele te acolheu no momento do abandono absoluto e te deu um colo estranho, diferente dos que você já conheceu. Um colinho quente, ainda magro de você, ainda fraco de convivência. É esse o colo que te acolheu e no momento em que você mais precisou. É esse colo que você deve valorizar. É dele que você precisa para se reerguer a cada queda, a cada espinho da sua flor. É esse amigo-ombro que te faz seguir em frente, que te emociona com seu jeito estupendamente desaforado. É esse amigo que te escancara as portas mundo afora. É esse amigo que te acolheu quando você se sentiu jogado fora, excluído, fora do "grupinho". É esse amigo que viu a sua essência e quis te aceitar. É, sem sombra de dúvida, esse amigo que te viu verdadeiramente. A distância não separa ninguém. Os valores sim.