1 de julho de 2011

As flores






Eu gosto de gente que fala o que pensa na minha cara. Gente que machuca e não faz ninguém refletir é o que mais há. O bom da vida é o tempo - ele te mostra as verdades que essas pessoas não tem coragem e peito pra dizer na sua cara, bem ali, diante do seu narizinho. Se faz de vítima, se faz de santa por querer. Mas o querer é mal-querer disfarçado. É isso? Cinismo, hipocrisia, preconceito. Você só compreende quando atinge diretamente você!



A gente não faz questão dos espinhos, mas o perfume da flor é sempre indispensável. E tem gente que nasceu só com os espinhos. O perfume? Bem, o perfume é que eles conseguem colher das pessoas verdadeiramente perfumadas que estão ao seu redor. Isso chama-se parasitismo. Você permanece ao lado dos perfumados para tentar absorver um pouco daquelas fragâncias que encantam tanta gente. Uma vez absorvido, esse perfume inebria tanto, tanto, tanto a flor desperfumada que ela passa a acreditar piamente que o tal perfume é realmente exalado por ela. Por favor, dona flor, abre teu olho e perceba que sem perfume não somos nada. Dá uma adubada nesse teu solo, limpa as daninhas, cuida de regar todos os dias e veja se consegue adquirir um perfume próprio. Faz bem, é certo, é honesto com você mesma.



É meu povo, a gente dá umas topadas vida afora. A gente acredita, luta, defende, oferece uma segunda chance, mas o espinho fala mais alto na flor. Ele consegue repelir o que há de bom e ainda consegue fazer com que, soberana, a flor não perceba que de vítima não tem nem o nome. Tem gente que é assim - acredita tanto em si mesmo, que acaba pensando que a bondade e a generosidade fazem parte daquela alma sombria e completamente resguardada de qualquer esforço multilateral de entendimento do outro. Eles fazem disso a verdade deles. Uma verdade tão absoluta que chega a cegá-los e a deixá-los completamente alheios ao que acontece no jardim como um todo. 



Essa flor, com espinhos, sem perfume, sem cor, sem vida própria só faz se fortalecer dentro de um mundo ilusório criado para ser o refúgio nas horas difíceis. Essa flor já teve tudo, mas perdeu. Perdeu e deixou-se perder. Não fez questão alguma de ser flor de novo. Fez da beleza um legado artificial de euforia. Lidou com histeria a todo tipo de novidade. E o encantamento? Onde foi parar o encantamento? O encantamento, meus caros, esse secou há muito tempo. Essa flor, tão iludida e tão solitária, acredita-se linda e radiante. Ela não percebe que o destaque que tem é tão somente o vulto de toda a solidão de sua alma. Ela está sozinha porque quer. Porque é dona do próprio nariz e não precisa entender o mundo em que está inserida. Ela quer falar de amor, de paz, de sentimento, mas de amor (amor mesmo, amor que move o mundo e as pessoas) essa pobrezinha não sabe nada. Bem mais que seduzir, essa flor deveria preocupar-se em cultivar o perfume. Afinal de contas, ela é uma flor e não uma sereia.



Ai flor, vem para o mundo das coisas bonitas. Deixa de lado essa sua pseudo-verdade. Ela só faz mal ao seu brilho e à conquista do seu próprio perfume. O que você, flor soberana do jardim, pensa a meu respeito não mais importa. Na verdade, nada mais importa em relação a você. O que você precisa agora é se estabelecer, conquistar novas flores para sugar o perfume e, se quiser um conselho, corre atrás do seu perfume! Isso só faz a alma da gente crescer... mas crescer verdadeiramente. Frases jogadas ao vento, fotos da sua beleza fabricada e risos populares nas madrugas não fazem de você uma estrela no jardim. Na verdade, a grande maioria das outras flores (as que conseguem compreender seu desespero) sabem que tudo isso não passa de uma farsa. Você criou um nome, um CPF e tem até uma caixa postal para esse seu outro eu. Apesar de tudo, não consigo de forma alguma acreditar nessa sua verdade, nessa sua bondade, nesse seu extra-hiper-mega-senso de alegria e justiça.



Por que você quer ser tão diferente num mundo onde todos são tão iguais? Somos semelhantes, flor. Não seja má como as outras pessoas. Busque esclarecimento. Aprenda sobre as diversas personalidades humanas que te cercam nesse jardim. Veja, todos somos muito iguais, mas as minhas pétalas são bem diferentes das suas. Não quero mais ficar aqui ao seu lado. Não quero ficar tão perto de você. A amizade dura enquanto existe respeito, compreensão, coerência e afinidade. Nós já nos perdemos nesse caminho. Nossos espinhos são em menor ou maior quantidade dependendo do perigo que corremos e do tanto que precisamos nos defender de, dentre outros fatores, flores como você. Toda flor tem espinhos, mas, no seu caso, são os espinhos que têm a flor.



Isso foi só um desabafo desabado alma afora...






28 de junho de 2011












"É sempre assim que acontece - quando a gente se revela, os outros começam a nos desconhecer."
  
Não, a frase não é minha.
É daquela que melhor fala de mim - Clarice Lispector.





27 de junho de 2011

Meu amor novo de novo






A vida sempre segue um rumo meio desconfiado e intrigante. Encontros, reencontros, despedidas e o meio termo entre todas essas passagens. Tudo isso faz parte dessa nossa aventura na terra. Muitas vezes fica tudo numa pegada meio dark, meio sombria demais pra suportar, mas isso é a vida e nós temos que aprender a lidar com essa louca dança. Fica comigo? Assim, bem pertinho... vem cá, se aconchegue nesse meu abraço que nunca conseguiu esquecer esse cheirinho de criança que sai de dentro de você. Vem e traz consigo aquele meu velho sorriso. Aquele que você levou quando resolveu abandonar a cama quentinha que eu fiz pra você no meu coração. Traz de volta pra mim aquela minha alegria de achar tudo muito lindo e colorido. Faça com que eu sinta você verdadeiramente pulsante dentro de minh'alma. Eu só preciso disso. Eu só preciso que você aceite isso que está dentro de você.



Essa confusão de sentimentos, esses detalhes esquecidos, aquela lembrança boa daquele beijo ao entardecer de um lindo dia, onde nós dois estivemos juntos por uma eternidade num único segundo. É de tudo isso que eu quero me lembrar e é só isso que eu queria ter de volta. Não sei se é possível reconstruir um passado. Todos tentam. Em vão, mas tentam. O passado é somente o passado. Depois disso tudo que vivemos, fica claro que precisamos nos reinventar. "Oi, tudo bem com esse novo você? Ele vem sempre aqui? Gostei dessa camisa nova, esse jeans rasgado e esse cabelo meio bagunçado! Tudo bem se eu me sentar do seu lado?" É um novo fôlego para aquele velho amor de ainda e sempre. Tudo se quer. Tudo se volta para você. Esses holofotes iluminam muito mais do que essas marcas de expressão que eu adquiri com a sua ausência. Eles mostram um mapa da minha saudade quase que numa super visão de raio-X do Superman. Esse mapa só me leva a você.



Que tipo de amor é esse que eu trago aqui dentro? Quando é que vou poder te mostrar que eu te quero? Esse querer disfarçado de confusão é o que mais me mata. Isso realmente acaba comigo. Você não vê que eu fico em chamas do seu lado? Você não sente isso. Ah, eu sei que você sente. Você sente e percebe. Mas o que eu posso fazer se você não dá o braço a torcer? Que turrão você é e quanto amor eu venho arrastando pelo caminho, se arrastando, me arrastando. Tudo se confunde nisso tudo. Eu só queria que você pudesse olhar para mim e reconhecer aquele brilho no olhar de quando eu olho para você. Faz isso por mim? Me mostra que você não tem medo de tentar mais uma vez? Mais uma vez comigo? É só isso que me importa: que você me queira tanto quanto eu te quero. Eu não preciso parar para cuidar de mim. Minha alma é muito mais cheirosa e bem cuidada quando estou junto de você. 



O nosso problema é esse afastamento, essa distância que nos corta, nos machuca, que reabre as cicatrizes de outros tempos do nosso amor. A gente se corta, se machuca, se reinventa e fica louco pra ter de novo um ao outro. Que amor bonito, que coisa boa. Somos reincidentes nesse crime, fomos condenados a morrer de amor, um pelo outro, por toda a vida, em todas as vidas. Essa inconstância que nos condena a esse abismo nada mais é do que a imensa vontade de fazer (e de te falar) que eu não suporto viver sem saber que você está ali por mim, para mim e, ao mesmo tempo, para você. Sim, eu aceito ter todos esses vocês que vivem aí dentro. Sim, eu quero me esforçar para agradar a todos esses que vivem aí dentro. Faça isso por mim também. Me veja com olhos mais que humanos, me veja como seu melhor amor. Chega bem pertinho, me dá sua mão, sente esse cheirinho bom de amor renovado. Quer dar uma volta, conversar, ser meu amor novo de novo? Então vai lá, se cuida, se perfuma e volta pra mim, porque eu só consigo caminhar se for com você ao meu lado.






"Acredito nos olhos de quem está apenas observando, 
aprendendo, sem julgamento. 
Acredito que existe um lugar para mim, 
assim como existe lugar para todo mundo. 
Porque existe lugar para todo mundo. 
É só procurar... Eu acredito. Acredito no tempo. 
O tempo é nosso amigo, nosso aliado, 
não o inimigo que traz as rugas e a morte. 
O tempo é que mostra o que realmente valeu a pena, 
o tempo nos ensina a esperar, 
o tempo apaga o efêmero e acaba com a dúvida."
Caio F.








22 de junho de 2011

Gaypride


 








Quando o mundo quiser sufocar o seu verdadeiro "eu". 
Quando tudo parecer não fazer sentido algum.
Quando tudo não for sentimento.
Seja você.



Quando tudo não te sorrir o riso mais legal.
Quando você quiser gritar bem alto.
Quando você desanimar.
Seja você.



Quando você parecer inadequado demais.
Quando as regras forem obscuras.
Quando você desistir.
Seja você.





Tenho orgulho de ser gay porque querem me obrigar de todos os lados, de todas as formas, todos os dias e minutos e segundos a ter vergonha de ser quem eu sou. E isso não acontecerá.






18 de junho de 2011

Avessos











“Eu vou gostando, eu vou cuidando, eu vou desculpando, 
eu vou superando, eu vou compreendendo, eu vou relevando,
eu vou e continuo indo, assim, desse jeito. 
Sem virar páginas, sem colocar pontos e vou dando muito de mim, 
e aceitando o pouquinho que os outros têm pra me dar.” 
Caio Fernando Abreu



Ah meus bons conto de fadas! Plagiando aquela velha senhora travestchy dazoropa tento escapar dessas filosofias tortas de fundo de padaria da esquina. Tem gente que ainda acredita (e muito) que a vida resolver-se-á quando um príncipe lindo e reluzente der um chega pra lá naquele dragão baforento. Que coisa bem estranha essa nossa mania de fazer da vida um eterno conto de fadas, né? Será que eu acordei meio rígido demais hoje? Acho que não. Tem muitos dias em que eu me pergunto por que essas pessoas insistem em acreditar em um conto de fadas? Por que essas pessoas acreditam que um dia eu vou ser aquilo que elas esperam de mim? Enfim. "Como assim?", me pergunto perplexo diante dessas pessoas que querem cuidar da minha vida, mas não querem pagar a conta da minha amada loja de queijos e vinhos.


Que tipo de gente é essa que, em pleno século XXI, acredita que vai viver dentro de um padrão completamente arcaico e ultrapassado. Oh, please, keep away from me! Me deixa de fora desse Clube do Bolinha, porque eu já passei da idade e do peso pra brincar de Power Rangers com vocês, ok?! Acho que o único objetivo que pessoas desse tipo têm na vida é atazanar a existência das outras que, se não fossem os parâmetros pré-estabelecidos, seria extremamente felizes e completas. Vivemos numa democracia falsa, onde tudo é proibido para quem é diferente da receita tradicional do bolo da vovó. Estamos fadados a decepções aristocráticas o tempo todo e fazemos disso um legado de dor e constrangimento. A pressão é tamanha que eu sinto que vou explodir algumas vezes. Será que essas pessoas, com essas normas e leis falidas e preconceituosas, fazem muita gente de bem sofrer como um cão? Será que é esse o propósito desse mundo? É fazer sofrer?


Ninguém percebe o tamanho do estrago e, muitas vezes, de posse de uma hipocrisia deslavada, diz que sabe exatamente como você se sente. Me desculpem, caros leitores, mas sabem o cacete! Essas pessoas não sabem nem metade do que se passa na vida, na cabeça, no coração, na alma dessas pessoas que são extremamente maltratadas e judiadas a vida toda pelo simples fato de ser diferente. Qual o problema desse povo que julga como se fosse Deus? Deus não é amor? Que suposições falsas são essas? O que essa gente quer de mim? Que eu seja infeliz? Sorry, honey, mas eu vou ser feliz sim! Eu posso, mereço e quero ser feliz! E essa sim é uma decisão que podemos e devemos tomar todos os dias quando amanhecemos. O amanhecer em mim não pode ser trágico sendo eu tão saudável e cheio de força de vida. É vida pulsando por toda a parte. É vida saltitando por eu poder ser exatamente aquilo que eu preciso ser no mundo - uma mudança viva e constante, um ser completamente ativo nesse panorama.


Eles chegam, te devoram com suas condições pseudonormativas, fazem de você uma ameba, promovem uma lavagem cerebral e, aí sim, soltam você nessa selva ridícula de gente estranha que só pensa em se promover e se mostrar mais poderoso que eles próprios. Querem fazer de você uma máquina programada, um poderoso chefão que não manda nem no próprio nariz. Não, esse não sou eu. Esse não serei eu. O verdadeiro eu que habita em mim precisa de muito mais para continuar vivo. Ele precisa de você, de você e de você também. Esse meu eu é sedento de saber, de conhecer, de experimentar. Ele precisa de muito mais que seu arroz-com-feijão pra ser feliz. Essa lavagem cerebral é completamente reversível, basta você querer. Porque é sempre assim - a vida chega, te vira do avesso e aí você acaba descobrindo que o avesso é o seu lado certo.





17 de junho de 2011

Quer conversar?











Quer falar sobre o assunto? Quer ajuda? Pode falar. Vou te ouvir com a maior atenção do mundo. Essa nossa vida é tão corrida, né? Talvez esteja realmente faltando mais diálogo entre você e eu. Somos obrigados a capitalizar nossa vida de uma forma tão descontroladamente insana que nos esquecemos da nossa engrenagem mãe - a conversa, a intimidade, o desabafo. Fala comigo o que te aflige, o que te faz sentir aquele frio na barriga, aquilo que te faz perder o sono. Me conta sem medo, todo mundo tem medo, mas precisamos falar, gritar, berrar. Conversar faz bem, alivia a alma, seca as lágrimas do coração, faz cantar os passarinhos dentro da nossa cabeça.


Tem momentos que a gente realmente só precisa de um bom par de ouvidos, né? As coisas começam a desandar, você fica preocupado, quer falar, ninguém pra ouvir. Os que ouvem interpretam você como se fosse um monstro. É estranho, diferente e anormal essa aversão que o ser humano tem pelo seu semelhante. Não me venha com hipocrisia de fundo de butequim, baby! Todos nós, em algum momento da vida, sentimos algum tipo de sentimento não-tão-bom-assim por outra pessoa. Não existe alguém 100% gente boa. Todo mundo tem seus prós e contras - isso é a vida e é importante e é real. O que a gente não pode é esmorecer, deixar a peteca cair, o pneu murchar, a vida falar por você. Quem tem voz aqui é você. Fale. Expresse-se. Transforme sentimento em palavra. Isso é importante e não te deixa adoecer por dentro.


A vida vem me ensinando a falar cada vez mais aquilo que não me faz bem. O resultado é sempre bom, por mais que você perca ou se perca no caminho. O essencial é que você estará realmente ali quando expressar seu sentimento. Será sua essência chegando na frente e dizendo: "ei, isso aqui não tá certo, não! Vamos falar sobre isso e ver o que está fora do lugar". Quando a gente passa por situações difíceis fica complicado quebrar a carapaça e mostrar o que está sofrendo lá dentro, porque fazer isso não é tão simples quanto abrir uma porta. A alma humana é um cadeado que perdeu a chave. Estamos sempre em busca de algo mais, algo estranho, alguém que nos diga o que fazer. Talvez isso diminua nossa culpa, talvez isso torne tudo mais ameno, talvez você não precise se abrir para o mundo. Talvez, talvez, talvez. Acaba logo com esse talvez e mete a mão na massa. É complicadíssimo, eu sei, mas essa chave deve estar em algum lugar. 


Sabe... tem coisa que a gente deixa passar e vira uma bola de neve tão grande que ninguém consegue controlar. Eu tenho medos constantes que me aterrorizam todos os dias. Um em especial me faz gelar a espinha. Você acha que eu falo sobre ele? Nem falo. Vou falar. Estou me educando para isso, nem que seja preciso recorrer a um "profissional da conversa", vulgo psicólogo.


Será que tem alguém aí disposto a me entender?



 



“Aquilo que não vira palavra, vira sintoma!”

Sigmund Freud

27 de maio de 2011

Resistir!





É quando os velhos se fazem estranhos e os tão mais novos se mostram antigos conhecidos. Tem gente que se perde no caminho, mas o bom é o que a gente encontra esquecido por aí. Novos corações, novas cabeças, novos sentimentos. Mais do mesmo. Só que com uma roupinha xadrez diferente daquele tubinho preto que não te serve mais...
É quando você percebe que muito do que se viveu conseguiu ser superado por aventuras maravilhosas no fantasioso país das maravilhas e aquilo que tanto importava se tornou lugar-comum na vida de quem outrora se amou. É quando toda a culpa desse desgarrar recai toda sobre as suas cansadas costas. Será que você pagará o preço pelo tanto que se amou? Será que tudo será sempre dessa forma? Será esse eterno recomeçar? 
É quando o cigarro não te satisfaz, a vodka te faz esquecer do próprio nome, as músicas já não falam tanto assim sobre você e as luzes já perderem todo aquele brilho de encantamento. É quando você se sente oculto em si mesmo e tenta gritar por socorro dentro de um poço escuro e úmido. De olho em você, paranoico, prenda-me. Faça de seu legado de euforia minha alegria por um segundo. De quem é toda essa culpa que trazemos entre nós? De quem será a conta no final disso tudo? Por que se perder? Por que nos prender? Por que motivo só o seu mundinho é o mundo correto de se viver. Pagamos o alto preço de nossas escolhas e, no fim das contas, percebemos que o déficit que você imaginava irrisório é, na verdade, muito maior do que você pensou que seria. 
É quando palavras sem sentido algum começam a saltar da ponta dos seus dedos e se jogam nesse precipício branco com bolinhas pretas. Pecados, angústias, medo. Medo da perda certa. Essa perda que você vê, acredita que está vendo, acredita que é real e que, ainda assim, é camuflada pela alegria de algumas poucas palavras. É quando você é acusado de substituir certos conceitos e padrões quando a realidade é outra: você e seu mundinho imutável foram substituídos pela ganância do ter mais do que poder. 
É nesse meio tempo que você enxerga o brilho no olhar daquele antigo novo amigo, aquele te acolheu no momento do abandono absoluto e te deu um colo estranho, diferente dos que você já conheceu. Um colinho quente, ainda magro de você, ainda fraco de convivência. É esse o colo que te acolheu e no momento em que você mais precisou. É esse colo que você deve valorizar. É dele que você precisa para se reerguer a cada queda, a cada espinho da sua flor. É esse amigo-ombro que te faz seguir em frente, que te emociona com seu jeito estupendamente desaforado. É esse amigo que te escancara as portas mundo afora. É esse amigo que te acolheu quando você se sentiu jogado fora, excluído, fora do "grupinho". É esse amigo que viu a sua essência e quis te aceitar. É, sem sombra de dúvida, esse amigo que te viu verdadeiramente. A distância não separa ninguém. Os valores sim.
 
 
 
 

23 de maio de 2011

Forças e fraquezas








Eu queria escrever um texto triste, que mostrasse toda uma melancolia e um desespero intenso de uma vida que, talvez, ainda não tenha alcançado seu objetivo. Infelizmente, ou felizmente, não tenho coragem de fazer isso. Não tenho coragem de me abrir e dizer certas coisas que eu precisaria dizer caso quisesse ficar um pouco mais leve. Talvez seja esse o motivo dessa minha ausência aqui no blog nesses dezessete dias. Nesses dias muitos textos foram escritos dentro de mim. Muitas frases de impacto, muitos parágrafos, muitas discordâncias e muitas concordâncias, muita vida. Tenho vivido intensamente e de uma forma onde o aprendizado vem se fazendo uma constante. Não tenho nem como contabilizar toda a experiência de vida que acumulei nesse curto período de tempo. E isso é bom, não posso reclamar.


O que eu penso é a seguinte: tristeza rima com poesia. E quem é que não quer poesia? Todo mundo fica se imaginando numa cena paradisíaca num inverno de Paris. Todo mundo fica querendo um mundo melhor e uma cidade mais bonita de se ver. Todo mundo quer te ver rimando tristeza com poesia. Todo mundo te acha forte, irreverente, de bem com a vida e cheio de amigos/amados que fazem de tudo por você. Ledo engano. Nunca vivi esse conto de fadas e também, depois de tantos desencontros, nunca desejei viver dessa forma. Sempre fui do tipo independente, que faz todos os trabalhos escolares com o maior empenho e dedicação (o que durou até a faculdade, resultando numa monografia perfeita, de 150 páginas e uma placa de honra ao mérito), que lava a própria cueca (e todo o resto das próprias roupas), que sabe cozinhar, arrumar a casa, lavar a privada e limpar a sujeira de muita gente por aí. Sou desse tipo: nunca gostei de futebol e nunca soube debater sobre o tema, nunca fui a pessoa que vai apenas balançar a cabeça e dizer "sim, senhor" (eu sempre vou expor a minha opinião, fique certo disso), nunca fui e nunca vou ser a pessoa que todos os babacas querem que eu seja. Eu não vou dizer "sim" para você caso esteja tudo uma merda. Esse não sou eu.


Eu sou aquele se faz de forte, que mostra os dentes e agarra a vida com todas as unhas possíveis, que faz você sentir raiva e, logo em seguida, amor. Eu sou esse, que vai te fazer sentir um turbilhão de emoções em menos de trinta segundos. Mas não me peça para não desanimar. Me desanimo, sim! Fico muito desanimado muitas vezes. Choro lágrimas contidas dentro do meu peito, me desespero, me rasgo inteiro. Esse sou eu. Falo. Falo, falo, falo. Falo merda, faço elogios, te derrubo com um lance de olhar. Mas não coloque maldade nas minhas ações. Não pense em mim como seu inimigo, pois eu não o sou. Sou forte o bastante para reprimir todos os meus desejos mais lindos, mas não me peça para ficar feliz quando você pensa que eu sou o mais cruel dentre todos os seres vivos. Crueldade é uma palavra que não cabe na minha cabeceira. 


Não quero prioridades ou regalias, tudo o que eu te peço aqui, meus caros amigos, é o seguinte: não interpretem o que eu digo como se fosse um apedrejamento. Não transformem minhas palavras em navalhadas profundas e doloridas. Não me machuquem. Não façam de mim o crucificado que vocês precisam para continuar vivendo. Não sou a sua fortaleza, não sou o exemplo a ser seguido, não sou isso tudo que vocês querem que eu seja. Eu sou apenas um eu que quer ser feliz, numa casinha pequena e bonita, com o amor da minha vida, minha plantação de pimentas, meus Sansão e minha Mulher Maravilha. Quero minha família feliz e orgulhosa de mim. Quero tudo o que eu já tenho e um pouquinho mais, porém de um jeitinho todo meu e bem mais colorido. Eu quero ser realmente livre de qualquer obrigação existencial que parta do princípio da perfeição. Eu não sou perfeito e você também não é. Como diria minha amiga Déborah Hernandes: "na vida, carregamos nossas qualidades num saco à nossa frente e nossos defeitos em outro saco às nossas costas. Em fila indiana, você só vê meus defeitos". Acredito que tem muita gente precisando olhar bem de frente para mim antes de tirar qualquer conclusão. Isso sim é respeito.








Existe um Judas dentro de cada um de nós. 
Sem ele não teríamos a exata noção do que signifca o amor
que trazemos no peito, que é Jesus Cristo.
Faça como Ele, perdoe o seu Judas! 










Esse texto jogou pra página seguinte um texto que foi muito importante para mim.
Só pra eu não me esquecer dele, tem o link aqui!




Update: eu não tinha me dado conta da data, mas 23 de maio é um dia incomum e muito especial na minha vida. Só pra registrar.

 

6 de maio de 2011

Libertação








Sinto que estamos caminhando rumo à uma liberdade definitiva em relação aos nossos direitos, valores e, principalmente, nossa própria consciência. Muitos vão discordar, outros vão comentar aqui dizendo o contrário, mas no fundo, bem lá no fundo, somos todos preconceituosos e precisamos (urgentemente) rever tudo isso. O Brasil, um país completamente miscigenado e hipócrita, viveu anos sob a luz de um conservadorismo exacerbado e caótico. Isso está mudando sim e vai mudar muito mais. A nova sociedade que está sendo "filtrada" e "lapidada" pelas nossas mãos tende a uma democracia mais humana e justa. Uma democracia que não vai mais conseguir julgar uma pessoa pela cor da pele, religião, orientação sexual ou qualquer outro artifício que é tão amplamente utilizado nos tempos de hoje.



Muito bem, meus caros, mais uma vitória para nós. Me sinto lisonjeado de poder participar disso tudo e estar presente nessa era de transformações e eliminação de reticências. Somos tão civis quanto qualquer outro casal heterossexual e merecemos esse reconhecimento legal. Claro que, para muitos casais homossexuais, o resultado dessa votação significa a confirmação no papel de relacionametos que já duram anos. Isso servirá para ratificar e alegrar a todos aqueles que, assim como eu, gostariam de ter um documento que comprove uma relação estável. Estável e feliz, mas o feliz fica por conta do sentimento e não do papel.



Eu desejo que essa nova sociedade multipluralizada que está nascendo possa vir cheia de tolerância, respeito e muita dignidade. Que os corações dos novos seres humanos venham cheios de muito desejo de prosperar aquilo que está sendo construído a duras penas. Que eles reconheçam nosso esforço e que a semente do mal nunca mais brote entre nossos dourados campos de trigo. A minha alegria é poder aprender a deixar pra trás todo esse preconceito que nos foi ensinado desde sempre. A minha alegria é poder trabalhar em busca do esquecimento dessa era de horrores que vivemos até hoje. Só quem faz parte do grupo dos excluídos pela sociedade hetero-magra-linda-normativa sabe dos horrores pelos quais passamos todos os dias, velada e abertamente.



Hoje não é um dia ensolarado qualquer. Hoje é o dia em que dez, eu disse dez, parlamentares participaram de uma votação unânime que definiu um novo rumo para as relações humanas. Não sei se eles tem plena consciência do que fizeram, mas quero desejar as melhores energias a todos eles. Eles fizeram muito bem não só aos casais homossexuais. Eles fizeram bem a eles mesmos, aos filhos deles, aos netos e a todos os que estão vivendo sob essa atmosfera bem menos carregada de ódio e intolerância. Que dia tão feliz estamos vivendo! Espero que todos possam se solidarizar com essa alegria e busquem entender esse sentimento de contentamento contentíssimo e super aguardado. Estamos diante de um novo amanhecer, meus amigos, e isso é muito bom de se ver.



"Uma sociedade decente é uma sociedade 
que não humilha seus integrantes."
Ministra Ellen Gracie





PARABÉNS A TODOS NÓS!







Já pode casar no papel?
#RodrigoScheerdigaSIM!




4 de maio de 2011

Domingo é dia delas!








 




Domingo é dia de quem te esperou com a maior ansiedade e alegria. Domingo é dia de quem adorou te segurar nos braços pela primeira vez e que, ao sentir aquele amor, jurou pra si mesma toda proteção do mundo àquele pequeno ser humano. É dia de quem se preocupou com o seu primeiro banho, de quem sempre achava a água um pouco fria demais pra você, de quem corria e te secava o mais rápido possível. Domingo é dia de quem te segurou pela mão e te ensinou a caminhar. É dia de quem passou noites em claro cuidando da sua febre. É dia de quem te ensinou a jogar o dente de leite no telhado. É dia de quem nunca se cansa de te fazer comer bem. É dia de quem te ensinou a respeitar o seu semelhante. Domingo é dia de quem achou forças não se sabe onde para conseguir deixar você na escola em seu primeiro dia de aula. É dia de quem amou colecionar desenhos sem pé nem cabeça como se fossem uma pintura de Picasso. Domingo é dia de quem enlouqueceu quando você partiu a testa ao meio brincando de He Man. É dia de quem vibrou ao ler aquele “Eu te amo” todo torto e sem jeito, mas que mesmo assim se debulhou nas mais lindas lágrimas de felicidade e orgulho. Domingo é dia de quem morreu de preocupação quando você quis ficar um pouco mais na festa de sábado. É dia de quem não consegue parar de se preocupar até hoje. Domingo é dia de quem não sabe te dizer “não”. É dia de quem nunca teve vaidade, de quem se dedicou a você, de quem só sabe te amar. Domingo é dia de uma mulher como poucas. É dia de quem morreu de orgulho na sua formatura e não parava de bater no peito e gritar “Esse é o meu filho!” enquanto você recebia as homenagens de melhor aluno do curso e melhor monografia. Domingo é dia de quem te provoca, que fala bobagens com você, que te entende do jeitinho que você é. Domingo é dia dela – da única mulher que você ama de verdade. É dia de quem sente saudades de você mesmo antes de você virar a esquina. É dia de quem briga por você e que te defende com unhas afiadas e dentes pontiagudos. É dia de quem se machuca por você. Domingo é dia de quem não esquece o momento  em que você nasceu e faz questão de contar, cheia de satisfação, esse maravilhoso fato a todos. Domingo é dia de quem sabe consolar, proteger, amar. Domingo é dia de quem se arrumou e se maquiou toda e que, no momento mais importante, desabou em lágrimas ao perceber que você cresceu e que está construindo uma nova família. É dia de quem sempre esteve e sempre estará presente em todos os momentos de sua vida. Domingo é dia daquela mulher de aço, abnegada, que se esquece dos próprios sonhos e desejos para dar vida e luz a todos os seus. É dia daquela que não tem vaidades e que não mede esforços para te fazer a pessoa mais feliz desse mundo. Domingo é dia de quem te perdoa de coração aberto e o mais largo sorriso. É dia de quem sorri com a alma. Domingo é dia de quem espera sua visita todas as tardes, que faz aquele bolo que você ama, que cuida das coisas que você fez por ela como se fossem um tesouro. Domingo é dia de quem vibrou com a notícia de seu primeiro filho. É dia de quem, mesmo de longe, quis estar ali por você. Domingo é dia de quem se emocionou ao ver seu primeiro neto nascer e que, naquele momento, se lembrou de tudo aquilo que viveu e percebeu que estava pronta e que tinha muita força para ser tudo de novo.


 
Mãe, todo dia é o seu dia!







Feliz Dia das Mães a todas essas deusas 
que auxiliam o trabalho de Deus!